Mãe, pai, amigos: Eu me dispersei.
E isso é justamente o que me apavora, me corrói.
E lá estava eu novamente, caminhando a passos largos pelas estradas do "bem-me-quer-mal-me-quer", com medo de arriscar, mas ainda assim arriscando, como uma cega num matagal de espinhos, tentando encontrar o que eu já havia encontrado, mas que me escapara, e fugira, e se escondera. Lá estava eu novamente, tentando desesperadamente alcançar algo bem maior que eu, pensando que seria não tão fácil, mas que também não fosse assim tão difícil. Lá estava eu, quando me deparei com o Quase encostado a uma árvore, de pés cruzados e cachimbo na boca. Ele me encarou com um olhar sarcástico, e foi mais ou menos assim: Calma aí, mocinha, você não vai conseguir assim tão fácil. Tudo bem, eu pensei. Então eu continuei, e insisti mais um pouco, e caminhei, e me surpreendi, e tentei não me desvirtuar, tentei não falhar, e tentei, e tentei, e tentei. E novamente me surpreendi com o Quase, dessa vez parado numa esquina, fumando um cigarro e me encarando com um sorriso faminto e malicioso. E novamente foi quase, mas não foi. Então, cansada dos Quases que a vida me enfiou goela abaixo, eu, cercada com esses sentimentos ruins que nós sentimos quando somos forçados a desistir, e com a minha mania idiota de me dispersar, me dispersei. E fatalmente fodi com tudo.
Não sei no quê exatamente por a culpa, então eu culpo as portas. Essas portas que eu esqueço entreabertas, sempre deixando entrar, sempre deixando sair. Quando tudo pode ser, tudo é - o bom e o mal também. Por isso o jeito é afastar-se dessa liberdade ilimitada e fechar bem essas portas. Eu não fechei. E o que tinha pra acontecer, aconteceu. O bom e o mal também.
Ultimamente, penso que esgotei a minha capacidade de sofrer. Tem a ver com os erros meus, com os erros seus, e com essas consequências absurdas que a gente ganha de brinde. Talvez eu só tenha me acostumado. O talvez eu tenha ultrapassado a linha limite entre o simples sofrer e O SOFRER. Porque o que costumava me atingir já não me atinge com tanta força, e o que costumava me afligir já não me aflige mais, o que costumava me afetar já não me afeta tanto assim. É só uma pontada de dor, uma tristeza repentina que desaparece tão rápido quanto o abrir e o fechar dos olhos. E então me vem o vazio.
Olhe só o que eu fiz. Por falta das palavras certas a dizer, eu peço que me perdoe. Perdoe minha tentativas inábeis de tentar e não conseguir. Perdoe minha precariedade, minhas atitudes sujas e desajeitadas, o meu jeito de amar tão imenso e incompreendido. Perdoe-me por tirar tanto do seu tempo, perdoe-me por não ser exatamente perfeita. Perdoe-me. Perdoe-me. Estou me dispersando... Aliás, me perdoe por isso também.
Eu poderia simplesmente sair das vidas de todos vocês. Poderia apenas viver a minha. Sabe, acordar, tomar café, assistir um filme, ouvir música na rede, ler um livro, dar uma caminhada. Sem incômodos, sem frustrações, sem equívocos. Tenho certeza que eu poderia sumir da vida de muitas pessoas. Só não tenho certeza se eu conseguiria sumir da vida "daquela pessoa". E no entanto, é isso que eu deveria fazer.
Eu estou sempre me surpreendendo. Comigo, com os outros, com tudo. Me surpreendi por amar assim, me surpreendi por não ser amada, e por ser, digamos, gostada-de-um-jeito-romantiquinho, e ainda me surpreendi por aquilo que chamamos de amor ter virado uma grande bagunça, e por ter nos afogado com tamanha esperteza, e pelo fato de estarmos sempre tentando chegar à superfície, apesar de que talvez não exista uma. O problema é que eu não gosto de me surpreender.
Acho que a única coisa que eu realmente desejo é que tudo valha a pena. Que seja tudo, que não seja nada. Mas que no final, eu possa não me arrepender. Que no final, eu não me disperse. Que no final, você me queira bem.
Bem me quer, mal me quer, bem me quer, mal me quer... Bem me quer... Mal me quer...
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Caminhos certos, vinhos e buscas desesperadas
Caminho sempre para o que acho que me faria bem, e não obedeço à razão ao fazer as escolhas que me guiam para tal caminho. Eu reparo na grama, se está bem cortada, e na estrada, se não está esburacada, e na paisagem, pois me agradam as flores. E só percebo que devia ter pensado melhor quando me vejo perdida.
Faria sentido se eu tomasse uma taça de vinho, duas, três – uma garrafa inteira – e me deitasse na banheira, com os pensamentos abdicados de minha cabeça? E fechasse os olhos, e mergulhasse na água morna, e esperasse o momento em que meus pulmões implorassem por ar? E então o meu fracasso físico, moral e espiritual não cogitaria a idéia de levantar a cabeça e respirar fundo, e não me deixaria mover um músculo sequer, e assim restaria apenas o momento em que meu corpo não aguentaria mais e se entregaria à morte...
Faria sentido? O que é passível de fazer sentido, afinal? Vivemos sob as regras do homem, que já se mostrou ser tão incapaz de fazer regras quanto de obedecer à elas. Eu poderia criar minhas próprias regras, onde eu determinaria o que seria capaz de fazer sentido ou não. E então, beber uma garrafa de vinho e me afogar na banheira não seria algo tão sem sentido se visto daqui de dentro.
Eu estou sempre à procura de alguma coisa, dentro de mim ou ao meu redor. Tento me entender, me encontrar, ou entender alguém, encontrar alguém. Eu procuro insistentemente, e no entanto aquilo que procuro não se aproxima, apenas se afasta, e me evita.
Minha batalha está perdida, eu sei. E o ato de falhar já não me parece tão medonho. Pois eu aceito a falha, e aceitando-a, eu me deixo errar. E dentro de minhas próprias regras, o meu errar já não parece tão errado. E não quero saber o que pensam os que assistem de fora, pois não me preocupam os telespectadores. Aqui dentro já está bastante cheio, comigo e comigo mesma, e aquilo que me é externo não me diz respeito.
Eu arranquei minha pele para chegar ao meu interior. Só porque pensei que o meu interior significaria o que eu tenho de mais seguro. Eu arranquei as minhas dores, as minhas alegrias, e passei pelo que achava - erroneamente, devo acrescentar - que me levaria onde eu queria chegar. Foi me despedaçando pouco a pouco que conheci o extremo da fraqueza. E de tão fraca, eu parei de procurar.
Eu me desliguei do mundo com a obsessão de me encontrar, e talvez eu nunca me encontre de fato. Deixemos fluir, meus amigos - e talvez, sem que percebemos, aquilo que estamos procurando vem até nós por conta própria.
Eu quis, desesperadamente, viver em meu interior para fugir do caos exterior. Mas nada encontrei a não ser o que já sabia que existia. E a minha batalha continua perdida, junto às minhas falhas que se acumulam com uma rapidez assustadora. E minhas idéias malucas e sem sentido continuam malucas e sem sentido. E a minha garrafa de vinho me encara, aqui ao meu lado, já vazia. E a minha banheira, ao contrário, está cheia.
E eu acho que vou tomar um banho.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Uma carta para você
De: Meu coração
Para: Você, que foi embora.
Eu sei que já não há mais nada a ser dito. Sei que gastamos nossas últimas palavras, que desperdiçamos as últimas faíscas vivas que nos restavam, que dissipamos o tempo que não tínhamos, que deixamos rolar, e nesse deixar rolar, nos perdemos um do outro. Eu sei bem que já é tarde antes de ter sido alguma coisa, e sei também que o que ainda existe dentro de mim já não tem tanta importância, se é que teve algum dia. Sei que o que tenho para falar vai virar texto e morrer, sei que esses sentimentos vão passar despercebidos. Mas eu preciso me esvaziar, preciso colocar tudo isso que eu to sentindo para fora de mim e fechar a porta bem rápido, para que eu não cometa o erro de deixar essa coisa que você chama de amor entrar aqui outra vez. Eu sei, eu sei de tudo isso, mas não me interrompa. Deixe-me terminar o que tenho para dizer.
Eu acho que sempre soube que esse dia chegaria. Já disse, certa vez, que as pessoas têm o costume de me abandonar. E é verdade. Veja bem, não estou falando isso por mal, não guardo qualquer tipo de ressentimento. Talvez uma dorzinha no peito, dessas que a gente sente quando a decepção aflige nossas expectativas, mas nada demais. Um pouquinho de tristeza, sim, não minto, mas no fundo essa tristeza sempre esteve aqui comigo. São apenas alguns sentimentos desse tipo, mas nada de ressentimentos.
Bem, como eu estava dizendo, as pessoas têm o costume de me abandonar. Eu costumava aceitar isso com muita paciência, na verdade. Quando era necessário dar um "tchau", eu dava. Depois chegava em casa, tomava um banho, lia um livro, tirava um cochilo. E continuava, dia após dia, a conviver com a ausência até que ela se tornasse algo cotidiano. Aí nem doía mais sentir saudade. Quando era necessário dar um "Adeus", eu também aceitava pacientemente. Poderiam rolar algumas lágrimas, algum melodrama, alguns pensamentos paranóicos, mas nada que durasse tempo demais. Ao passar dos dias, dos mêses e dos anos, minha mente e minha alma se acostumavam com a ideia de que certo alguém já não fazia mais parte da minha vida. Aí, outra vez, nem doía mais sentir saudade.
Mas agora é diferente.
Não sei bem porque estou tão relutante em aceitar esse "fim" - nem sei se posso falar que houve um fim quando não houve sequer um começo, mas vamos deixar como está. Enfim, não sei bem ao certo, mas andei pensando nisso e acho que tem muito dessa coisa do "incompleto" na gente. Nós não falamos tchau, nem nos demos Adeus, nem mesmo nos despedimos na última vez que nos vimos. E acho que isso, essa despedida mal feita, isso está me impedindo de aceitar que você foi embora. Porque você não me deu um abraço, um aperto de mão, um aceno de cabeça. Você virou as costas, com as mãos nos bolsos e nariz empinado e caminhou, sem olhar para trás. Sem dizer tchau, sem dizer Adeus. Você só foi embora...
Sabe, isso é mesmo amor. Ou era, na verdade. Se não é mais, pelo menos foi um dia, disso eu tenho certeza. Não era comum. Era diferente, uma coisa que a gente sente uma vez na vida, uma coisa dessas raras que aparecem do nada e que ninguém entende como nem porquê. Você me entende? Por isso está sendo tão difícil pra mim. Talvez você não consiga me entender, e eu não vou te culpar se esse for o caso. Como nós dois sabemos, nada disso tem mais importância. Só não quero que você pense que eu estou fazendo tempestade em copo d'água. Eu sei - e você também sabe - que eu sou uma pessoa muito exagerada. Mas dessa vez não é exagero, juro. É só o meu coração relutando em ser partido.
Não, ainda não é ressentimento, e nem vai ser. Mas aquela tristeza que eu estava sentindo quando comecei a te escrever está ficando mais forte. Talvez quando eu colocar o último ponto final, ela se transforme em algo como um tipo mais agudo de melancolia, uma consternação, talvez até uma ira dessas que a gente sente quando percebe que poderia ter feito algo diferente, e que esse algo poderia ter acarretado em uma situação distinta, menos ruim. É, se eu tivesse dito outra coisa, ou feito outra coisa, ou até não ter feito nada desde o início, talvez agora, às 01h15 da madrugada de quinta-feira, eu não estaria aqui escrevendo meus sentimentos, mas dormindo profundamente um sono desprovido de preocupações. Mas eu disse, eu fiz, e eu estou aqui. E sei que nada vai mudar.
Sinto-me obrigada a dizer que quando você soltou a minha mão, foi como se tivesse também me apagado a luz. Ando de um lado para o outro à procura de alguma coisa, não necessariamente você, mas alguma coisa para que eu possa segurar apertado e nunca mais soltar, para que eu possa me sentir protegida novamente. Porque nesse momento eu não me sinto. Parece que antes de você ir embora, você roubou uma parte de mim e me deixou incompleta, desamparada, no escuro, e sem saber porque ainda continuo assim, meio boba, meio insegura, meio apaixonada por você, que foi embora.
Veja bem, não quero colocar qualquer tipo de pressão sobre você. Quero mesmo que você me veja despedaçada e pense "Que se foda". Não quero ser qualquer tipo de peso em sua vida, de maneira alguma. Já fui coisa de mais: Já te esmaguei com meus sentimentos, te afoguei na minha insegurança, te inundei em meu desespero. Eu já fui, agora deixe que seja. "Que se foda", todo mundo sofre. Um dia esse meu sofrimento vai virar rotina assim como faz a saudade, e aí não vai mais doer sofrer por amor.
Não está sendo fácil, e ninguém nunca disse que seria. Na verdade, sempre imaginei que não fosse. Mas tudo o que me resta é abaixar a cabeça e seguir em frente. Não, não quero nem pensar na possibilidade de seguir em frente sem você. Você se foi, eu sei, não precisa me lembrar novamente, eu já entendi da primeira vez e juro que estou tentando me dizer isso. Mas eu não me escuto. Eu não te escuto...
Eu não queria, mas colocar o último ponto final nessa carta será como colocar um ponto final na gente. Foi bom, foi ótimo. Você é uma pessoa maravilhosa, sim, e eu te amo. Só te desejo coisas bonitas. Mas agora está na hora de me dar um basta. Meu coração está doendo demais, é uma dor horrível. Eu não aguento mais. Você pode enxergar isso como uma desistência da minha parte. Eu não sei se estou desistindo mesmo ou se estou me escondendo em algum canto dentro de mim para ignorar o fato de que, mesmo sem um começo, há um fim. E ele está bem aqui.
Não sei, não sei. Pensei que sabia demais, mas tudo que sei é apenas o óbvio. Tudo que sei é que estou erguendo a bandeira branca.
Ps: Aquela tristeza do começo ficou mais forte mesmo.
Com amor,
Eu.
Para: Você, que foi embora.
Eu sei que já não há mais nada a ser dito. Sei que gastamos nossas últimas palavras, que desperdiçamos as últimas faíscas vivas que nos restavam, que dissipamos o tempo que não tínhamos, que deixamos rolar, e nesse deixar rolar, nos perdemos um do outro. Eu sei bem que já é tarde antes de ter sido alguma coisa, e sei também que o que ainda existe dentro de mim já não tem tanta importância, se é que teve algum dia. Sei que o que tenho para falar vai virar texto e morrer, sei que esses sentimentos vão passar despercebidos. Mas eu preciso me esvaziar, preciso colocar tudo isso que eu to sentindo para fora de mim e fechar a porta bem rápido, para que eu não cometa o erro de deixar essa coisa que você chama de amor entrar aqui outra vez. Eu sei, eu sei de tudo isso, mas não me interrompa. Deixe-me terminar o que tenho para dizer.
Eu acho que sempre soube que esse dia chegaria. Já disse, certa vez, que as pessoas têm o costume de me abandonar. E é verdade. Veja bem, não estou falando isso por mal, não guardo qualquer tipo de ressentimento. Talvez uma dorzinha no peito, dessas que a gente sente quando a decepção aflige nossas expectativas, mas nada demais. Um pouquinho de tristeza, sim, não minto, mas no fundo essa tristeza sempre esteve aqui comigo. São apenas alguns sentimentos desse tipo, mas nada de ressentimentos.
Bem, como eu estava dizendo, as pessoas têm o costume de me abandonar. Eu costumava aceitar isso com muita paciência, na verdade. Quando era necessário dar um "tchau", eu dava. Depois chegava em casa, tomava um banho, lia um livro, tirava um cochilo. E continuava, dia após dia, a conviver com a ausência até que ela se tornasse algo cotidiano. Aí nem doía mais sentir saudade. Quando era necessário dar um "Adeus", eu também aceitava pacientemente. Poderiam rolar algumas lágrimas, algum melodrama, alguns pensamentos paranóicos, mas nada que durasse tempo demais. Ao passar dos dias, dos mêses e dos anos, minha mente e minha alma se acostumavam com a ideia de que certo alguém já não fazia mais parte da minha vida. Aí, outra vez, nem doía mais sentir saudade.
Mas agora é diferente.
Não sei bem porque estou tão relutante em aceitar esse "fim" - nem sei se posso falar que houve um fim quando não houve sequer um começo, mas vamos deixar como está. Enfim, não sei bem ao certo, mas andei pensando nisso e acho que tem muito dessa coisa do "incompleto" na gente. Nós não falamos tchau, nem nos demos Adeus, nem mesmo nos despedimos na última vez que nos vimos. E acho que isso, essa despedida mal feita, isso está me impedindo de aceitar que você foi embora. Porque você não me deu um abraço, um aperto de mão, um aceno de cabeça. Você virou as costas, com as mãos nos bolsos e nariz empinado e caminhou, sem olhar para trás. Sem dizer tchau, sem dizer Adeus. Você só foi embora...
Sabe, isso é mesmo amor. Ou era, na verdade. Se não é mais, pelo menos foi um dia, disso eu tenho certeza. Não era comum. Era diferente, uma coisa que a gente sente uma vez na vida, uma coisa dessas raras que aparecem do nada e que ninguém entende como nem porquê. Você me entende? Por isso está sendo tão difícil pra mim. Talvez você não consiga me entender, e eu não vou te culpar se esse for o caso. Como nós dois sabemos, nada disso tem mais importância. Só não quero que você pense que eu estou fazendo tempestade em copo d'água. Eu sei - e você também sabe - que eu sou uma pessoa muito exagerada. Mas dessa vez não é exagero, juro. É só o meu coração relutando em ser partido.
Não, ainda não é ressentimento, e nem vai ser. Mas aquela tristeza que eu estava sentindo quando comecei a te escrever está ficando mais forte. Talvez quando eu colocar o último ponto final, ela se transforme em algo como um tipo mais agudo de melancolia, uma consternação, talvez até uma ira dessas que a gente sente quando percebe que poderia ter feito algo diferente, e que esse algo poderia ter acarretado em uma situação distinta, menos ruim. É, se eu tivesse dito outra coisa, ou feito outra coisa, ou até não ter feito nada desde o início, talvez agora, às 01h15 da madrugada de quinta-feira, eu não estaria aqui escrevendo meus sentimentos, mas dormindo profundamente um sono desprovido de preocupações. Mas eu disse, eu fiz, e eu estou aqui. E sei que nada vai mudar.
Sinto-me obrigada a dizer que quando você soltou a minha mão, foi como se tivesse também me apagado a luz. Ando de um lado para o outro à procura de alguma coisa, não necessariamente você, mas alguma coisa para que eu possa segurar apertado e nunca mais soltar, para que eu possa me sentir protegida novamente. Porque nesse momento eu não me sinto. Parece que antes de você ir embora, você roubou uma parte de mim e me deixou incompleta, desamparada, no escuro, e sem saber porque ainda continuo assim, meio boba, meio insegura, meio apaixonada por você, que foi embora.
Veja bem, não quero colocar qualquer tipo de pressão sobre você. Quero mesmo que você me veja despedaçada e pense "Que se foda". Não quero ser qualquer tipo de peso em sua vida, de maneira alguma. Já fui coisa de mais: Já te esmaguei com meus sentimentos, te afoguei na minha insegurança, te inundei em meu desespero. Eu já fui, agora deixe que seja. "Que se foda", todo mundo sofre. Um dia esse meu sofrimento vai virar rotina assim como faz a saudade, e aí não vai mais doer sofrer por amor.
Não está sendo fácil, e ninguém nunca disse que seria. Na verdade, sempre imaginei que não fosse. Mas tudo o que me resta é abaixar a cabeça e seguir em frente. Não, não quero nem pensar na possibilidade de seguir em frente sem você. Você se foi, eu sei, não precisa me lembrar novamente, eu já entendi da primeira vez e juro que estou tentando me dizer isso. Mas eu não me escuto. Eu não te escuto...
Eu não queria, mas colocar o último ponto final nessa carta será como colocar um ponto final na gente. Foi bom, foi ótimo. Você é uma pessoa maravilhosa, sim, e eu te amo. Só te desejo coisas bonitas. Mas agora está na hora de me dar um basta. Meu coração está doendo demais, é uma dor horrível. Eu não aguento mais. Você pode enxergar isso como uma desistência da minha parte. Eu não sei se estou desistindo mesmo ou se estou me escondendo em algum canto dentro de mim para ignorar o fato de que, mesmo sem um começo, há um fim. E ele está bem aqui.
Não sei, não sei. Pensei que sabia demais, mas tudo que sei é apenas o óbvio. Tudo que sei é que estou erguendo a bandeira branca.
Ps: Aquela tristeza do começo ficou mais forte mesmo.
Com amor,
Eu.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Eu, um poço e um amor
Mas há essa ampulheta em minha vida.
Ela me encara, enquanto a areia fina desliza rápido o bastante para me provocar uma dor lancinante no fundo da alma. É como se dissesse que o tempo tem pressa, e que ele não vai esperar por mim. Mas eu, eu preciso dele.
É difícil explicar, mas é mais ou menos assim: Você está bem. As coisas à sua volta estão acontecendo, os problemas estão acontecendo, tudo está acontecendo - o mundo está rodando, e você está vivendo. Vivendo bem. E então, de uma hora para outra, por causa de uma pessoa, ou de uma situação, ou de um sentimento, ou de qualquer outra droga que a vida lhe joga na cara, você tropeça e cai. E você cai em um poço - um poço escuro, desses sem fim. E você vai caindo e caindo, e tenta se segurar em alguma coisa, mas suas mãos nunca seguram suficientemente forte, e escorregam. E você nunca pára de cair. Às vezes acontece alguma coisa, e você acha que uma chama fraca está começando a se acender, ou que existe uma luz piscando lá no fundo. Mas então você vê que nada é forte o bastante para fazer alguma diferença - nem a chama, nem a luz. E assim, desse jeito, você continua caindo, caindo, caindo. E nunca chegando à lugar algum. E nunca conseguindo se segurar em nada. E sempre vendo uma chama ou uma luz... Mas não que isso faça alguma diferença, porque você nunca pára de cair.
É assim: Eu, um poço e um amor. E uma ampulheta, que continua sempre a me encarar. E um punhado de areia, que assim como eu, continua sempre a cair. Lenta, rápida, torturante... Marcando o início da tão temida ausência.
Vida! Não me faça caminhar por entre as ruas do desconhecido, com a única certeza de que logo estarei perdida. Eu já sei, não precisa me dizer: No final, o que queremos continua sendo apenas o que queremos, e permanece esquecido lá nos fundos de uma gaveta empoeirada. Porque aquilo que é mais importante para nós mesmos, pode não ser o mais importante para as garras afiadas e sem piedade da vida.
É estranho viver sabendo que isso está prestes a acabar. Eu observo de longe aquela ampulheta, relutando chegar mais perto por medo de sei-lá-oquê. Observo o tempo passar, o meu tempo passar, e não sei se fico feliz ou triste. Às vezes é um alívio pensar que está acabando. Mas ainda há alguma coisa dentro de mim que insiste em negar qualquer tipo de fim - há muita coisa, na verdade; aí esse sentimento de saudade precipitada me invade, e se mistura ao medo, à tristeza, ao sofrimento e à verdade, a tão temida verdade, que me atinge com um tapa na cara e um sorriso sarcástico, dizendo "Tá vendo? Quem mandou se apaixonar?"
Eu seria eternamente feliz se o tempo passasse, mas que não levasse embora pedaços de mim. Que não me deixasse sozinha em um futuro vazio, chorando por um passado esquecido, e sendo atormentada por fantasmas daquilo que me fez sorrir tanto quanto me fez chorar. Daquilo que me deixou sozinha numa esquina qualquer, na tempestade gélida, sem casaco nem guarda-chuva, enquanto caminhou sem olhar para trás e pegou o primeiro táxi que apareceu.
E o destino, seria bom se o destino agisse a meu favor. Que me pregasse uma peça, que me fizesse uma festa surpresa. Que escolhesse as situações exatas e me colocasse nelas. Que escolhesse as pessoas certas e me envolvesse com elas. Que me mostrasse uma realidade diferente. Talvez assim aquela chama e aquela luz fossem fortes o bastante para me aquecer, para me tirar do escuro, e para me mostrar como é não viver sempre deslocada por causa desse poço idiota. Por causa desse amor idiota. Por causa de você, por causa de mim. Por causa de tudo.
Sinceramente, cansei dessa deslocação contínua. A partir de agora, vou tentar me encaixar. E que me venha uma base sólida abaixo de mim, para que eu possa cair, me machucar, levantar e começar de novo.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
À procura do meu essencial
E de repente eu me dou conta de que preciso rever alguns detalhes dentro de mim. Então eu pego o livro da minha vida, leio e releio a minha alma e vou virando as páginas daquilo que sou. Estou à procura de um novo capítulo para mim. Um capítulo que me possa fazer sorrir de vez em quando e chorar de vez em nunca. Um capítulo que não tenha muito blá-blá-blá. Quero um capítulo consistente. Amigos, alegria, sorrisos, folia, festa. Sem melo-drama, sem choradeira. Eu quero um capítulo novo para mim - um que me possibilite ser feliz. Mas já procurei tanto, que talvez seja melhor comprar um livro novo.
Agora, aqui dentro, em minha vida, em meu corpo, em minha alma, eu sinto esse cansaço extremo me torturar. É um cansaço diferente - um cansaço de ser, de estar, de viver, de tentar. Eu me esqueci de viver pra mim e por mim. Minha cabeça gira em torno daquela outra pessoa, meus pensamentos giram em torno daquela outra pessoa, meu corpo, minha voz, meu mundo - o meu universo inteiro gira em torno daquela outra pessoa. E eis que o que sou foi esquecido, e está apodrecendo no canto de algum lugar qualquer. Parece que eu coloquei o meu "eu" no bolso furado do casaco, e o perdi por aí. Quem sou? Alguém que ama alguém. Só.
Eu me perdi. Nos detalhes que revi, dei-me conta de que a minha vida não passa de dias aglomerados em um calendário, esperando para serem vividos - quando são, na verdade, apenas assistidos de longe. Por isso o livro da minha vida está tão mal escrito, por isso os capítulos são tão longos e monótonos, por isso nada de exterior me acontece. Por isso eu continuo sempre com as mesmas ideias na cabeça, sempre buscando por algo distante, sempre correndo atrás, sempre continuando, tentando, e querendo mais. Sempre querendo você, e precisando de você, e precisando insuportavelmente de você, e me machucando por não te ter, e permanecendo machucada, com uma ferida enorme no peito e sangrando. Sozinha. Porque por te amar demais eu me perdi, e por me perder eu não te encontro.
Tudo que eu quero e preciso é de algo ou alguém que me traga um copo de leite quente, para que eu possa fechar os olhos e dormir. E quem sabe, assim, me libertar desse cansaço irracional de procurar pelo que me faz feliz. Quem sabe ao dormir eu me encontre? Quem sabe a resposta não esteja nos meus sonhos? Quem sabe?
Preciso dormir. E ao dormir, eu quero sonhar. E nesse sonho, quero viver. E nessa vida, quero sentir. Estou sem força para continuar, e meus olhos enxergam somente uma única saída: A de sonhar com o que quero viver. Porque eu tentei demais, e agora estou tão fraca que viver de verdade me parece algo escandalosamente cansativo.
Estou cansada de procurar pelo capítulo que me falta. Estou cansada, meu Deus, de não saber quem sou, onde estou e porque me encontro assim, tão distante de mim e de todos. Estou perdida, estou ferida, estou chorando aos berros por dentro, e meu coração - pobre coração - não sei nem se posso chamá-lo assim, já que mais se parece com um poço de decepções.
Abri o livro da minha vida, procurei por um capítulo que me possibilitasse sorrir, virei páginas e passei anos procurando, procurando e procurando. E agora sinto-me exausta, porque trata-se de um livro que eu não consigo terminar de ler e de um capítulo que, por mais que eu tente, eu não consigo encontrar. Eu quero descansar - e nem sei se quero descansar por estar cansada ou porque algo dentro de mim quer desesperadamente erguer a bandeira branca. Tudo que sei é que agora, nesse momento, estou com uma vontade louca de parar essa leitura pela metade e fechar esse maldito livro. Fechar para nunca mais abrir.
E talvez, apenas talvez, comprar um livro novo.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
O Reencontro
Eu sempre penso que as coisas não vão acabar por aqui. Quando se trata de algo muito bonito, muito grande, muito sincero, nunca acaba. Pode ser diluído na água do tempo, pode perder-se nos caminhos da incerteza, ou pode permanecer guardado - ou jogado - debaixo da cama, esperando que alguma coisa forte o bastante aconteça para que seja possível puxar para cima o que estava escondido. Alguma coisa como um reencontro, quem sabe. Alguma obra do destino, talvez. Uma brincadeira dessas ingênuas que a vida nos prega de vez em quando.
Eu sempre penso que um dia a gente pode voltar a se encontrar. Daqui a muitos anos, quando já estivermos casados com outras pessoas, e andando com a foto dos nossos filhos na carteira. Numa rua, numa calçada, num elevador - a gente se encontra. E demora algum tempo para nos reconhecermos - alguns minutos, no máximo. E então ficamos olhando um para a cara do outro, com um sorriso idiota no rosto e um pensamento do tipo "Nossa, como você está diferente". E nesse meio tempo, as lembranças invadem nossas cabeças como um filme - os sorrisos, as brincadeiras, as piadas, as palavras - escritas e faladas - os sentimentos - sentidos e rejeitados, os bons momentos - e os mais embaraçosos. E esses pensamentos nos desperta algo forte, uma mistura de saudade com paixão e com sei lá mais o que. E esse algo forte faz o nosso olho brilhar, e o coração disparar, e o sorriso sair naturalmente, e as palavras "Eu senti a sua falta" se formarem em ambas as bocas sem que nos demos conta. Assim, espontânea e naturalmente. E então a gente se abraça, e eu sinto o seu cheiro. BUM - explosão de lembranças. E você sente o meu perfume. BUM - mais lembranças. E eu sinto o seu abraço, e você toca o meu cabelo, e eu fecho os olhos e respiro fundo, pensando que nunca deveria ter acabado daquela forma. E nós ficamos abraçados por alguns minutos, vivendo momentos que não voltam, porque já foram ultrapassados, e nada mais são que meras lembranças. Lindas lembranças, maravilhosas lembranças, mas ainda lembranças.
E então nós nos separamos, e como se tivessem desligado a televisão, o filme de nossas vidas acaba, e nós voltamos para a realidade. Eu me lembro de que estou casada, e de que tenho dois filhos lindos. E você se lembra de que está casado, e que também tem filhos lindos. E então eu olho para você mais atentamente, e pergunto o que você andou fazendo da sua vida. Você me fala que está escrevendo, e que seus sonhos se realizaram. Eu me encho de orgulho, e fico com vontade de te dar outro abraço, mas desisto. Você fala da sua esposa, e me mostra a foto dos seus filhos. Eles são lindos, eu penso. O menino tem seus olhos - o mesmo olhar sincero, um tanto melancólico, um tanto misterioso, um tanto rude, mas sincero. Os mesmos olhos, o mesmo olhar - um olhar escondido por trás das grossas lentes de um óculos. Então eu olho novamente para você, e fico com vontade de dizer tantas coisas, de resolver tantas coisas - coisas que foram deixadas para morrer, coisas que foram enterradas incompletas - um buraco preenchido apenas pelo inacabado. Porque a gente deixou aquilo se perder? Porque deixamos algo tão belo morrer? Eu penso. Penso, mas não digo. Ao invés disso, retribuo seu olhar, e no exato momento em que nossos olhos se cruzam, você tenta dizer alguma coisa, você quer dizer alguma coisa, mas você não diz. Você apenas sorri. E então eu sorrio de volta. E eu vejo que essa coisa elaborada pelo destino me está escapando, está querendo fugir denovo. Eu não quero deixá-la fugir, eu tento alcançá-la, mas é tão mais alto que eu, e tão mais forte que eu, e tão maravilhoso, e tão perfeito, que eu não consigo fazer nada. Eu tento, mas tudo o que eu faço é encará-lo com o mesmo olhar apaixonado de tantos anos atrás. O mesmo olhar que me denunciava, e o mesmo sorriso bobo, e por um momento, as mesmas expressões de admiração, as mesmas de uma pessoa que assiste à um espetáculo magnífico. As mesmas de uma pessoa cega de paixão.
E você olha para um lado, e eu olho para o outro. E acaba, e a coisa foge, e me escapa mais uma vez das mãos.
É quando o táxi chega, ou o meu celular toca, ou a porta do elevador se abre, e eu preciso dizer que tenho que ir. E você diz que você também precisa ir. E nós nos damos outro abraço. BUM - e somos mergulhamos em mais uma explosão de lembranças recém desenterradas. E nós nos separamos, e essas lembranças se acabam.
E você se despede de mim, e caminha do lado contrário. Você olha para trás uma vez, nós trocamos um sorriso, e então você continua andando, e andando, e andando, e vai se perdendo no meio da multidão, e vai desaparecendo aos poucos, e some, e desaparece, e vai embora, e vai para longe de mim, mais uma vez. E eu continuo parada, pensando que seria idiotice deixar para lá um reencontro como esse, preparado pelo destino. Mas que seria ainda mais idiotice ir atrás de você, porque nossas vidas tomaram rumos diferentes. Então por fim eu deixo ir. Viro as costas e tomo meu táxi, ou atendo meu celular, ou vou para qualquer lugar para longe de você. E depois disso o tempo passa, e nós nunca mais nos vemos.
E nada mais nos resta além de mais lembranças - dessa vez as lembranças de um reencontro. Um reencontro simples, bobo, mas que por um momento fora capaz de trazer à tona sentimentos há tanto tempo escondidos, jogados e esquecidos debaixo da cama.
Eu sempre penso que um dia a gente pode voltar a se encontrar. Daqui a muitos anos, quando já estivermos casados com outras pessoas, e andando com a foto dos nossos filhos na carteira. Numa rua, numa calçada, num elevador - a gente se encontra. E demora algum tempo para nos reconhecermos - alguns minutos, no máximo. E então ficamos olhando um para a cara do outro, com um sorriso idiota no rosto e um pensamento do tipo "Nossa, como você está diferente". E nesse meio tempo, as lembranças invadem nossas cabeças como um filme - os sorrisos, as brincadeiras, as piadas, as palavras - escritas e faladas - os sentimentos - sentidos e rejeitados, os bons momentos - e os mais embaraçosos. E esses pensamentos nos desperta algo forte, uma mistura de saudade com paixão e com sei lá mais o que. E esse algo forte faz o nosso olho brilhar, e o coração disparar, e o sorriso sair naturalmente, e as palavras "Eu senti a sua falta" se formarem em ambas as bocas sem que nos demos conta. Assim, espontânea e naturalmente. E então a gente se abraça, e eu sinto o seu cheiro. BUM - explosão de lembranças. E você sente o meu perfume. BUM - mais lembranças. E eu sinto o seu abraço, e você toca o meu cabelo, e eu fecho os olhos e respiro fundo, pensando que nunca deveria ter acabado daquela forma. E nós ficamos abraçados por alguns minutos, vivendo momentos que não voltam, porque já foram ultrapassados, e nada mais são que meras lembranças. Lindas lembranças, maravilhosas lembranças, mas ainda lembranças.
E então nós nos separamos, e como se tivessem desligado a televisão, o filme de nossas vidas acaba, e nós voltamos para a realidade. Eu me lembro de que estou casada, e de que tenho dois filhos lindos. E você se lembra de que está casado, e que também tem filhos lindos. E então eu olho para você mais atentamente, e pergunto o que você andou fazendo da sua vida. Você me fala que está escrevendo, e que seus sonhos se realizaram. Eu me encho de orgulho, e fico com vontade de te dar outro abraço, mas desisto. Você fala da sua esposa, e me mostra a foto dos seus filhos. Eles são lindos, eu penso. O menino tem seus olhos - o mesmo olhar sincero, um tanto melancólico, um tanto misterioso, um tanto rude, mas sincero. Os mesmos olhos, o mesmo olhar - um olhar escondido por trás das grossas lentes de um óculos. Então eu olho novamente para você, e fico com vontade de dizer tantas coisas, de resolver tantas coisas - coisas que foram deixadas para morrer, coisas que foram enterradas incompletas - um buraco preenchido apenas pelo inacabado. Porque a gente deixou aquilo se perder? Porque deixamos algo tão belo morrer? Eu penso. Penso, mas não digo. Ao invés disso, retribuo seu olhar, e no exato momento em que nossos olhos se cruzam, você tenta dizer alguma coisa, você quer dizer alguma coisa, mas você não diz. Você apenas sorri. E então eu sorrio de volta. E eu vejo que essa coisa elaborada pelo destino me está escapando, está querendo fugir denovo. Eu não quero deixá-la fugir, eu tento alcançá-la, mas é tão mais alto que eu, e tão mais forte que eu, e tão maravilhoso, e tão perfeito, que eu não consigo fazer nada. Eu tento, mas tudo o que eu faço é encará-lo com o mesmo olhar apaixonado de tantos anos atrás. O mesmo olhar que me denunciava, e o mesmo sorriso bobo, e por um momento, as mesmas expressões de admiração, as mesmas de uma pessoa que assiste à um espetáculo magnífico. As mesmas de uma pessoa cega de paixão.
E você olha para um lado, e eu olho para o outro. E acaba, e a coisa foge, e me escapa mais uma vez das mãos.
É quando o táxi chega, ou o meu celular toca, ou a porta do elevador se abre, e eu preciso dizer que tenho que ir. E você diz que você também precisa ir. E nós nos damos outro abraço. BUM - e somos mergulhamos em mais uma explosão de lembranças recém desenterradas. E nós nos separamos, e essas lembranças se acabam.
E você se despede de mim, e caminha do lado contrário. Você olha para trás uma vez, nós trocamos um sorriso, e então você continua andando, e andando, e andando, e vai se perdendo no meio da multidão, e vai desaparecendo aos poucos, e some, e desaparece, e vai embora, e vai para longe de mim, mais uma vez. E eu continuo parada, pensando que seria idiotice deixar para lá um reencontro como esse, preparado pelo destino. Mas que seria ainda mais idiotice ir atrás de você, porque nossas vidas tomaram rumos diferentes. Então por fim eu deixo ir. Viro as costas e tomo meu táxi, ou atendo meu celular, ou vou para qualquer lugar para longe de você. E depois disso o tempo passa, e nós nunca mais nos vemos.
E nada mais nos resta além de mais lembranças - dessa vez as lembranças de um reencontro. Um reencontro simples, bobo, mas que por um momento fora capaz de trazer à tona sentimentos há tanto tempo escondidos, jogados e esquecidos debaixo da cama.
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Meu viver
Alguma coisa me incomoda. E dessa vez não é nada dentro de mim.
Andei pensando em como vivo - em meus dias longos e incompreensíveis, em minhas noites curtas e, ao mesmo tempo, tão insuportavelmente intermináveis. No prego e no martelo que usaram para pregar a sua imagem na minha cabeça, e você no meu coração. Na gana que cresce dentro de mim, alimentada pela sua ausência, e que vai tomando mais espaço e proporção conforme o tempo passa sem você. Andei pensando em como a monotonia invadiu os meus dias, cheia de domínio sobre mim; e em como a insipidez da minha vida se tornou a única coisa que me difere do insignificante. Eu estou repleta de meios-termos, e tomada pelo inacabado.
E assim eu vivo.
Vivo com a certeza de que sou aquilo que foi deixado de lado para ser terminado depois, e, consequentemente, esquecido numa gaveta qualquer. Estou esperando pelo dia em que alguém abra a gaveta da minha vida e me encontre. Que tire o pó acumulado em mim e que me coloque cuidadosamente numa estante, mas que não me deixe apodrecer no fundo dessa gaveta.
Eu vivo com a certeza de que aqui e agora não está sendo um bom lugar para se viver, porque existe algo tão extremamente grandioso incomodando a minha alma. Vivo com a certeza de que não vivo, mas existo - e existo de uma forma indubitavelmente irrelevante. Vivo com a certeza de que essa gaveta que me esconde, se encontra em algum lugar abandonado, esquecido, e que talvez nunca me encontrem.
Estou tão perdida, que a minha única certeza é não ter certeza de nada. Porque eu sei apenas o que não sou, apenas o que me falta, apenas o que me incomoda. Não faço ideia do que me preenche - é como se as minhas incertezas fossem as únicas coisas das quais eu tenho consciência. E sem ter certeza de nada, mas tendo certeza de tudo - já que o meu nada tornou-se tudo o que sou - eu vivo.
Acordo de manhã, me infiltro na monotonia dos meus dias, danço ao lado da minha paz rotineira. E aguardo obedientemente dentro da minha gaveta, apenas esperando. Um tanto apavorada, um tanto consternada, mas nem um pouco segura. Porque algo me diz que ainda tenho muito o que aguardar...
Mas, em minha alma, em meu coração, alguma coisa me incomoda.
Acho que é a falta que eu sinto de você.
Andei pensando em como vivo - em meus dias longos e incompreensíveis, em minhas noites curtas e, ao mesmo tempo, tão insuportavelmente intermináveis. No prego e no martelo que usaram para pregar a sua imagem na minha cabeça, e você no meu coração. Na gana que cresce dentro de mim, alimentada pela sua ausência, e que vai tomando mais espaço e proporção conforme o tempo passa sem você. Andei pensando em como a monotonia invadiu os meus dias, cheia de domínio sobre mim; e em como a insipidez da minha vida se tornou a única coisa que me difere do insignificante. Eu estou repleta de meios-termos, e tomada pelo inacabado.
E assim eu vivo.
Vivo com a certeza de que sou aquilo que foi deixado de lado para ser terminado depois, e, consequentemente, esquecido numa gaveta qualquer. Estou esperando pelo dia em que alguém abra a gaveta da minha vida e me encontre. Que tire o pó acumulado em mim e que me coloque cuidadosamente numa estante, mas que não me deixe apodrecer no fundo dessa gaveta.
Eu vivo com a certeza de que aqui e agora não está sendo um bom lugar para se viver, porque existe algo tão extremamente grandioso incomodando a minha alma. Vivo com a certeza de que não vivo, mas existo - e existo de uma forma indubitavelmente irrelevante. Vivo com a certeza de que essa gaveta que me esconde, se encontra em algum lugar abandonado, esquecido, e que talvez nunca me encontrem.
Estou tão perdida, que a minha única certeza é não ter certeza de nada. Porque eu sei apenas o que não sou, apenas o que me falta, apenas o que me incomoda. Não faço ideia do que me preenche - é como se as minhas incertezas fossem as únicas coisas das quais eu tenho consciência. E sem ter certeza de nada, mas tendo certeza de tudo - já que o meu nada tornou-se tudo o que sou - eu vivo.
Acordo de manhã, me infiltro na monotonia dos meus dias, danço ao lado da minha paz rotineira. E aguardo obedientemente dentro da minha gaveta, apenas esperando. Um tanto apavorada, um tanto consternada, mas nem um pouco segura. Porque algo me diz que ainda tenho muito o que aguardar...
Mas, em minha alma, em meu coração, alguma coisa me incomoda.
Acho que é a falta que eu sinto de você.
sábado, 12 de novembro de 2011
Refém
Sou como um barco furado, perdido no meio do oceano. A água salgada e gélida que tenta me naufragar são os sentimentos que venho sentindo ultimamente. Estou inundada de você, e sinto que vou afundar...
O que exatamente determina a hora de se deixar vencer? Eu poderia parar de tentar jogar fora a água que está entrando em mim e simplesmente me deixar submergir. Eu poderia me deixar levar pela fúria desse mar. Eu poderia. Mas eu não quero ser afogada no que eu sinto, porque se eu me deixar afundar, eu sei que não conseguiria voltar à superfície.
É complicado, e tentar explicar não irá fazê-lo entender. Apenas coloque em sua cabeça que eu estou cheia. Estou tão cheia de amor que não cabe mais nada aqui dentro. Sou como um vulcão em erupção - o que sinto é a lava inimaginavelmente quente que insiste em sair de mim e se espalhar ao meu redor, queimando quem se atrever a chegar perto. O que sinto atingiu um nível tão alto que eu mesma não consigo alcançar, e tão extremamente longínquo de mim que eu não consigo enxergar. Eu só sinto, e sinto de uma maneira exageradamente forte, desumana. Tão forte que está me machucando, me corroendo, me devorando. Eu acho que cheguei ao estado nirvana do amor.
Então você me diz para sossegar. E eu te digo aqui que não dá para sossegar um sentimento tão forte quanto o meu. Já tentei escondê-lo no fundo do guarda-roupa, já tentei inquietá-lo colocando-o debaixo do meu travesseiro. Já tive uma conversa séria com o tempo, mas ele não cura amores, nem apazígua sentimentos. Já tentei renunciar o que sinto, e até disfarçá-lo de outra coisa se não amor. Tentei esfriá-lo, congelá-lo, triturá-lo. Tentei fazer uma pausa, tomar um café, ler um livro, dar uma caminhada pelas estradas do Não-quero-mais-fazer-parte-disso. Já tentei deitar, fechar os olhos e não pensar em você, não pensar em nós, não pensar em nada. Com toda a sinceridade do mundo, afirmo aqui que eu já tentei sossegar. Mas eu não sou forte o bastante para me dar um basta.
Seria fácil se eu conseguisse colocar o meu desespero em um saco e abandoná-lo em algum lugar qualquer. Seria fácil se fosse possível renegar algo tão profundo, virar as costas e simplesmente continuar andando, sem nunca olhar para trás. Mas eu sou demasiadamente fraca, tão fraca que já perdi o controle sobre mim mesma - meu coração o tomou de mim, e não me deixa mudar de canal. Sou tão fraca que me permito, a cada dia, desistir de você e voltar atrás no segundo seguinte. Parece que sempre que tento tirar uma soneca, o amor vai lá e me acorda.
Sinto-me exausta. Amar demais cansa, eu sei, acaba com a bateria da gente. E eu acho que perdi meu carregador. Talvez eu já tenha feito de tudo, e agora seja a hora de respirar fundo e dormir - dormir para esquecer - ou dormir, quem sabe, para esperar. Mas eu estou presa à uma insônia torturante de você. Eu preciso de um calmante, um que seja forte o bastante para me fazer dormir. Você não é o único que precisa de um descanso - quero parar de ser devorada dia após dia pelos meus próprios sentimentos. E também quero parar de te afogar no que eu sinto.
Mas, honestamente, o meu único calmante é você.
Continuarei assim até o dia em que você apareça do nada, segure minha mão e aceite caminhar junto a mim. Continuarei assim até que você entre pela porta da minha vida, tranque-a e jogue a chave fora. Continuarei assim, meu amor, até que você finalmente ultrapasse as barreiras da sua confusão e venha até mim.
Até lá, me desculpe, mas eu serei apenas refém dos meus próprios sentimentos. Não é desespero, é amor.
O que exatamente determina a hora de se deixar vencer? Eu poderia parar de tentar jogar fora a água que está entrando em mim e simplesmente me deixar submergir. Eu poderia me deixar levar pela fúria desse mar. Eu poderia. Mas eu não quero ser afogada no que eu sinto, porque se eu me deixar afundar, eu sei que não conseguiria voltar à superfície.
É complicado, e tentar explicar não irá fazê-lo entender. Apenas coloque em sua cabeça que eu estou cheia. Estou tão cheia de amor que não cabe mais nada aqui dentro. Sou como um vulcão em erupção - o que sinto é a lava inimaginavelmente quente que insiste em sair de mim e se espalhar ao meu redor, queimando quem se atrever a chegar perto. O que sinto atingiu um nível tão alto que eu mesma não consigo alcançar, e tão extremamente longínquo de mim que eu não consigo enxergar. Eu só sinto, e sinto de uma maneira exageradamente forte, desumana. Tão forte que está me machucando, me corroendo, me devorando. Eu acho que cheguei ao estado nirvana do amor.
Então você me diz para sossegar. E eu te digo aqui que não dá para sossegar um sentimento tão forte quanto o meu. Já tentei escondê-lo no fundo do guarda-roupa, já tentei inquietá-lo colocando-o debaixo do meu travesseiro. Já tive uma conversa séria com o tempo, mas ele não cura amores, nem apazígua sentimentos. Já tentei renunciar o que sinto, e até disfarçá-lo de outra coisa se não amor. Tentei esfriá-lo, congelá-lo, triturá-lo. Tentei fazer uma pausa, tomar um café, ler um livro, dar uma caminhada pelas estradas do Não-quero-mais-fazer-parte-disso. Já tentei deitar, fechar os olhos e não pensar em você, não pensar em nós, não pensar em nada. Com toda a sinceridade do mundo, afirmo aqui que eu já tentei sossegar. Mas eu não sou forte o bastante para me dar um basta.
Seria fácil se eu conseguisse colocar o meu desespero em um saco e abandoná-lo em algum lugar qualquer. Seria fácil se fosse possível renegar algo tão profundo, virar as costas e simplesmente continuar andando, sem nunca olhar para trás. Mas eu sou demasiadamente fraca, tão fraca que já perdi o controle sobre mim mesma - meu coração o tomou de mim, e não me deixa mudar de canal. Sou tão fraca que me permito, a cada dia, desistir de você e voltar atrás no segundo seguinte. Parece que sempre que tento tirar uma soneca, o amor vai lá e me acorda.
Sinto-me exausta. Amar demais cansa, eu sei, acaba com a bateria da gente. E eu acho que perdi meu carregador. Talvez eu já tenha feito de tudo, e agora seja a hora de respirar fundo e dormir - dormir para esquecer - ou dormir, quem sabe, para esperar. Mas eu estou presa à uma insônia torturante de você. Eu preciso de um calmante, um que seja forte o bastante para me fazer dormir. Você não é o único que precisa de um descanso - quero parar de ser devorada dia após dia pelos meus próprios sentimentos. E também quero parar de te afogar no que eu sinto.
Mas, honestamente, o meu único calmante é você.
Continuarei assim até o dia em que você apareça do nada, segure minha mão e aceite caminhar junto a mim. Continuarei assim até que você entre pela porta da minha vida, tranque-a e jogue a chave fora. Continuarei assim, meu amor, até que você finalmente ultrapasse as barreiras da sua confusão e venha até mim.
Até lá, me desculpe, mas eu serei apenas refém dos meus próprios sentimentos. Não é desespero, é amor.
sábado, 5 de novembro de 2011
Minha batalha
Eu estou em conflito comigo mesma. Há uma guerra entre o que sou, o que os outros acham que eu sou, e o mais profundo eu. Os meus eu's não se entendem, eles querem ser maiores que eles mesmos, querem se ultrapassar.
Uma parte de mim quer ser o melhor para mim, outra parte de mim quer ser o melhor para alguém, enquanto outra parte de mim não quer ser nada. Um pouco de mim quer acabar com tudo, quer se ver livre de frustração. Um monte de mim quer continuar, quer insistir até que não sobre mais nada além do próprio nada. Um pedacinho de mim quer amar, mas um pedação de mim quer ser amada. O meu eu mais pérfido quer se livrar de você, enquanto o meu eu mais autêntico não suportaria cogitar tal idéia.
É tanta desordem, tanta confusão. Estou presa a um estado que se encontra abaixo da balbúrdia, no limite do caos. Eu queria poder me superar, vencer a mim mesma. Mas posso ser infinitamente forte quando quero, e me machucaria se tentasse. Eu gostaria de confrontar os meus eu's, dar a palavra final: Xeque-mate. Mas eu estaria entrando em uma batalha com o que sou. E o que sou é tudo o que tenho.
Quando o que está em jogo é muito profundo, muito íntimo, não há nada que se possa fazer. É como tentar matar o que não existe, ou tentar imaginar o inimaginável. Por isso é melhor nem tentar - deixar quieto. Tentar ignorar, talvez. Ou estabelecer um acordo de paz com nós mesmos. Mas nunca devemos entrar nessa guerra louca contra o nosso eu.
Sinto que estou prestes a ter uma overdose de emoções. Posso me descrever como uma estante cheia de livros, onde cada livro representa um pedaço de mim. Um pouquinho de romance, um pouquinho de drama, um tantinho de suspense - até um pouco de terror, para não ficar chato. Mas ainda assim, sendo uma estante de livros com um pouco de tudo, não me sinto completa. E como não me sinto completa, os meus eu's se confrontam, na tentativa de encontrar, de algum jeito estranho, aquilo que está faltando. Mas o que está faltando nunca é encontrado.
Estou pateticamente dependente do que me faz incompleta. Trata-se de algo tão distante que seria burrice insistir mais para consegui-lo. E tentar alcançá-lo é como abrir um buraco em mim, mas jamais chegar a mim mesma. O problema é que os meus eu's, tão cegos de paixão, acham que procurar pelo que não quer ser encontrado é fácil.
O que os meus eu's não entendem - o que nem mesmo eu consigo entender - é que não está faltando nada dentro de mim. Aqui dentro está cheio até, com tanto sentimento acumulado. Não, o que está faltando definitivamente não se encontra aqui. É algo humano, maravilhosamente imperfeito, oriundo de você. Está aí, perdido nessa sua confusão, esperando para ser descoberto, esperando para se juntar a mim. Não se trata de cavar a terra, penetrar o tártaro, sobrevoar o céu, mergulhar nas profundezas do mar. Se trata de cavar você, se infiltrar em sua própria profundeza. Cavar você, cavar, cavar. Esfolar a carne das mãos até encontrar o que está faltando, e então trazer para a sua superfície. Colocar diante dos seus olhos, para que possa ver, aceitar. E para que assim você diga sim à você, para que diga sim à mim, para que possamos dessa maneira dizer sim à nós. E juntar os meus eu's com os seus. Então, quem sabe nós conseguíssemos acabar com essa batalha louca dentro de mim. Sabe, dar um fim à tamanha confusão.
Palavras-não-ditas
Que vontade de gritar. Gritar bem alto para que você possa me ouvir. E, quem sabe, me ajudar de alguma forma. Talvez me trazendo flores, dizendo que tudo vai melhorar. Me dando um abraço, um sorriso, um olhar. Ou somente ficando parado ao meu lado, sem dizer nada.
Que vontade de encher meus pulmões de ar e dar um grito bem alto, com toda a força que eu conseguir juntar. Quem sabe assim você se dê conta de que eu continuo aqui, esperando. Quem sabe assim você note a minha presença, dê meia volta e venha até aqui. Ou não venha, mas que pelo menos note minha presença.
Pois é. É uma vontade excruciante, quase lépida, e definitivamente idiota. É excruciante, porque me dói essa vontade louca que eu tenho de você. Quase lépida, porque o que sinto é um meio termo entre o alegre e o consternado. E idiota, porque eu sei que se eu gritar, você não vai me ouvir.
Esse escuro, esse silêncio. Isso tudo está me matando. Eu só queria ouvir alguma coisa de você. Qualquer coisa. Mas pelo amor de Deus, acabe com esse silêncio insuportável. Me diga um "não", mas me diga. Me dê um tapa na cara, me arranque os cabelos, me chame de idiota, burra, tonta. Mas me diga alguma coisa, mas faça qualquer coisa. Só não me deixe aqui, esperando por algo que talvez nunca aconteça. Não me alimente de palavras-não-ditas. Não me alimente de falsas expectativas. Não finja que se importa, não finja que me quer bem. Eu preciso de atitudes. Nem que essas atitudes acabem com o que ainda resta de mim.
Se arrisque. Talvez seja a coisa certa a fazer. Quem sabe? Ou talvez você se arrependa. Mas você nunca saberá se não tentar. Veja bem, não estou aqui para cobrar nada de você. Não estou aqui para te forçar a nada. Tudo o que eu quero é que você erga a cabeça e tome uma atitude - boa, ruim, não importa. Mas não fique aí sentado, perdendo seu tempo com o "se". Se acontecer isso, se acontecer aquilo. Dane-se! Não seja um covarde. Existe um mundo lá fora, esperando por você. E existe eu, esperando por você.
Às vezes nós precisamos tomar decisões difíceis. Às vezes essas decisões podem magoar as pessoas que nos querem bem. Isso faz parte da vida - não tem como evitar um coração partido. É possível esquecer. É possível seguir em frente. É possível superar. O que não é possível é viver no meio dessa confusão, esperando por respostas, esperando por atitudes, esperando por qualquer coisinha mínima. Esperando por você.
Sabe, tudo na vida tem um fim - até mesmo essa vida. E se você sente que precisa acabar com alguma coisa - nem que seja algo lindo - vá em frente. O que você não pode fazer é arrastar isso até que essa coisa morra. O que você não pode fazer é esmagar alguém com o seu "nada". Diga sim, diga não. Mas diga.
Porque se você não quebrar esse maldito silêncio, eu vou gritar até meus pulmões estourarem. Eu vou gritar até que você possa me ouvir. Até que você perceba que eu ainda estou aqui, esperando por você.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Esperança
Chega de desespero, chega de solidão. Ela decidiu se libertar.
O dia lá fora estava lindo, esperando para ser vivido. E ela queria vivê-lo. O amor estava louco para ser sentido, e ela queria senti-lo. Os bons caminhos queriam ser percorridos, e ela queria percorrê-los. A beleza do mundo estava esperando para ser vista, e ela queria muito vê-la. Então, cogitando tudo o que havia de bom para ser aproveitado, finalmente tomou sua decisão. Ela fechou os olhos com força, abriu a janela da liberdade e inspirou profunda e lentamente. A brisa leve que entrou pela janela lhe deu um sopro de esperança, concedendo-lhe o direito de viver. Viver de verdade. Ela agarrou essa esperança como quem agarra um beijo soprado, e guardou-a só para si, dentro do seu coração.
E tudo ficou mais claro dali em diante.
Seus sonhos já não pareciam tão distantes, seus amores já não pareciam tão platônicos, suas decisões já não pareciam tão errôneas. Sua vida estava diferente - como se algo de muito espetacular estivesse acontecendo. Mas não era nada além do sopro de esperança que estava seguramente guardado em seu coração. Essa esperança não apenas serviu para desembaçar sua visão de mundo, como também serviu para lhe conceder um coração novo em folha. Dessa maneira, ele poderia guardar melhor a esperança, além de ter melhor resistência para não se ferir muito facilmente.
Ela havia finalmente se libertado, deixado para trás sentimentos que nada lhe acrescentavam de bom. Estava renovada, genuinamente feliz, de bem com o universo. E assim, ela viveu os anos mais felizes de sua vida. Sorriu, amou, venceu. Viveu amores, viveu paixões, viveu a vida. Não desistiu, não desanimou, não olhou para trás. Sentiu cheiros, permitiu abraços, percorreu descalça longas estradas de felicidade. Se deixou acreditar. Se deixou sentir. Se permitiu viver.
Mas então o tempo passou. E junto a ele, o que era bom desapareceu. Como se alguém, em algum momento, tivesse lhe apagado a luz.
Tudo tem um prazo de validade, inclusive o coração. Com o passar dos problemas, das preocupações e das decepções, ele foi ficando mais propenso a se machucar. Algumas vezes, ele acreditou demais. Outras vezes, ele apenas se entregou. E assim, pouco a pouco, nada restou além de um embolorado de cicatrizes, machucados, e grandes lacunas de vazio. E a esperança, que a pouco se encontrava ali, tão seguramente guardada, acabou se perdendo no meio de tanta decepção.
De repente ela não estava mais livre. Se tornara o pó, se tornara o escuro, se tornara o espaço entre o praticamente triste e o indubitavelmente triste. Já não lhe restava nada a fazer. O jeito era parar, desistir. Deitar confortavelmente, com um copo cheio de sossego e um livro bem grosso. Levantar vez ou outra para assistir ao espetáculo do pôr-do-sol, cuidar do jardim. Talvez até dar uma caminhada. Depois voltar a deitar-se, fechar os olhos e mergulhar num sono neutro, sem sonhos. E então esperar o momento em que alguém pudesse entrar em seu mundo obscuro e abrir aquela janela da liberdade, para que a brisa pudesse mais uma vez lhe soprar um pouquinho de esperança.
O dia lá fora estava lindo, esperando para ser vivido. E ela queria vivê-lo. O amor estava louco para ser sentido, e ela queria senti-lo. Os bons caminhos queriam ser percorridos, e ela queria percorrê-los. A beleza do mundo estava esperando para ser vista, e ela queria muito vê-la. Então, cogitando tudo o que havia de bom para ser aproveitado, finalmente tomou sua decisão. Ela fechou os olhos com força, abriu a janela da liberdade e inspirou profunda e lentamente. A brisa leve que entrou pela janela lhe deu um sopro de esperança, concedendo-lhe o direito de viver. Viver de verdade. Ela agarrou essa esperança como quem agarra um beijo soprado, e guardou-a só para si, dentro do seu coração.
E tudo ficou mais claro dali em diante.
Seus sonhos já não pareciam tão distantes, seus amores já não pareciam tão platônicos, suas decisões já não pareciam tão errôneas. Sua vida estava diferente - como se algo de muito espetacular estivesse acontecendo. Mas não era nada além do sopro de esperança que estava seguramente guardado em seu coração. Essa esperança não apenas serviu para desembaçar sua visão de mundo, como também serviu para lhe conceder um coração novo em folha. Dessa maneira, ele poderia guardar melhor a esperança, além de ter melhor resistência para não se ferir muito facilmente.
Ela havia finalmente se libertado, deixado para trás sentimentos que nada lhe acrescentavam de bom. Estava renovada, genuinamente feliz, de bem com o universo. E assim, ela viveu os anos mais felizes de sua vida. Sorriu, amou, venceu. Viveu amores, viveu paixões, viveu a vida. Não desistiu, não desanimou, não olhou para trás. Sentiu cheiros, permitiu abraços, percorreu descalça longas estradas de felicidade. Se deixou acreditar. Se deixou sentir. Se permitiu viver.
Mas então o tempo passou. E junto a ele, o que era bom desapareceu. Como se alguém, em algum momento, tivesse lhe apagado a luz.
Tudo tem um prazo de validade, inclusive o coração. Com o passar dos problemas, das preocupações e das decepções, ele foi ficando mais propenso a se machucar. Algumas vezes, ele acreditou demais. Outras vezes, ele apenas se entregou. E assim, pouco a pouco, nada restou além de um embolorado de cicatrizes, machucados, e grandes lacunas de vazio. E a esperança, que a pouco se encontrava ali, tão seguramente guardada, acabou se perdendo no meio de tanta decepção.
De repente ela não estava mais livre. Se tornara o pó, se tornara o escuro, se tornara o espaço entre o praticamente triste e o indubitavelmente triste. Já não lhe restava nada a fazer. O jeito era parar, desistir. Deitar confortavelmente, com um copo cheio de sossego e um livro bem grosso. Levantar vez ou outra para assistir ao espetáculo do pôr-do-sol, cuidar do jardim. Talvez até dar uma caminhada. Depois voltar a deitar-se, fechar os olhos e mergulhar num sono neutro, sem sonhos. E então esperar o momento em que alguém pudesse entrar em seu mundo obscuro e abrir aquela janela da liberdade, para que a brisa pudesse mais uma vez lhe soprar um pouquinho de esperança.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
É incompleto, é insensato. Mas eu aceito.
Que vida incompleta, a minha. Desnecessária. Pouco a pouco eu fui sendo submergida pelo grande vácuo do inacabado. É como se eu fosse apenas um corpo. Não um corpo absolutamente vazio: Um corpo com coração; Aliás, um coração que se perdeu no meio da complexidade do amor.
Foi mais ou menos assim: Pegaram-me pelo braço, vendaram meus olhos e me jogaram no mundo: Pronto. Se vira. Então eu encontrei você: Um retrato do mais profundo eu. E foi como se o tivessem feito sob medida, especialmente para completar o quebra-cabeça da minha vida. Mas enquanto você não segurar a minha mão e assumir o risco, enquanto você não se jogar de corpo e alma nessa coisa que eu estou sentindo - e que você pode chamar de amor, se quiser - enquanto isso não acontecer, esse quebra-cabeça continuará incompleto. E então eu continuarei incompleta.
Às vezes sinto como se o destino sentisse preguiça de trabalhar, e estivesse fazendo um trabalho sujo e mal feito comigo. Mas eu estou acostumada, para falar a verdade. Estou mesmo. Os meus dias, que nunca passaram de "normais", eu os aceitava. Os meus erros, que sempre foram vergonhosamente idiotas, eu os aceitava - e aprendia com eles. As minhas decisões, que sempre foram de última hora, e na maioria das vezes, errôneas, eu as aceitava. As minhas paixões, que sempre foram verdadeiras e nunca recíprocas, eu as aceitava. E assim, aceitando a felicidade incompleta, eu aprendi a viver. (De olhos vendados e jogada no mundo pelo braço, devo ressaltar).
Erro meu. Acredito que nós não fomos feitos para aceitar o que nos é estipulado - nem mesmo se for estipulado pelo sr. Destino. Nós vivemos para arriscar, quebrar regras, passar dos limites. E assim vencer. E não para aceitar. E não para viver do que é incompleto. Talvez, aceitando a felicidade incompleta, eu não tenha aprendido a viver. Talvez eu tenha apenas aprendido a aceitar. E isso eu acabei de concluir aqui, nesse instante, enquanto rebobino o filme da minha vida e me assisto.
Sinto-me impotente. Pois eu, que bem entendendo sobre as coisas inúteis da vida, não entendo a vida em sua plenitude. Sou tão desprovida de sensatez que me permito sentir algo que me corrói, que me machuca. E aí penso "Ah, tudo bem. Faz parte". Sou tão desprovida de sensatez que me permito aceitar meus dias longos e tediosos, minhas paixões exageradas e não-recíprocas, minha alegria limitada, minha ilusão de mundo. Sou tão desprovida de sensatez que, ao invés de fazer algo para mudar essa minha realidade, eu estou aqui, escrevendo. E nesse momento, não escrevo para mim, como de costume. Eu escrevo para você - para que possa entrar em contato com os meus pensamentos, e talvez, para que consiga me entender. Entender o porquê eu o amo tanto, dessa forma tão insensata. E entender porque eu aceito sofrer por isso.
Eu poderia dizer que a única coisa que não é incompleta nesse meu mundo, é o amor que eu sinto por você. Porque eu te amo inteiro, de um jeito irritantemente apaixonado, melancólico e louco. E a cada vez que eu penso que te amo, e a cada vez que eu digo que te amo, e a cada vez que eu escrevo que te amo, eu te amo ainda mais. Eu gosto de você de um jeito todo exagerado. Todo desproporcional. E esse amor é tão grande que não cabe aqui dentro - ele transborda, extravasa, e se espalha em torno de mim. É, eu poderia dizer que esse amor não tem nada de incompleto, tão verdadeiro, ingênuo e gigante ele é. Mas ele tem - Você sabe que tem. Porque enquanto eu continuar aqui e você lá, aquele meu quebra-cabeça continuará sem a peça principal: Você.
Mas agora, aqui, eu farei jus à minha mania de aceitar.
Eu aceito a minha vida incompleta. Eu aceito o meu enorme grau de insensatez. Eu aceito o meu amor exagerado. Eu aceito a sua ausência. E, se você quiser, eu te aceito também.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Sorria :)
Hoje eu não quero falar sobre seus defeitos, nem admirar sua perfeição. Não quero dizer o quanto te amo, e nem como eu me odeio por isso. Não estou aqui para lamentar sua indiferença, ou para acusar suas palavras-não-ditas, muito menos para chorar um amor não correspondido.
Estou aqui hoje para te fazer uma proposta. Antes de tudo, vamos fazer de conta que nós nunca nos conhecemos. Vamos partir do zero. Eu quero que você não pense em mim - quero que você pense apenas em você. Não se preocupe comigo. Apenas considere a proposta que estou a te oferecer.
O que tenho em mente é o seguinte: Eu quero fazer uma troca. Estou disposta a lhe entregar a minha felicidade em troca de sua tristeza, para que assim eu possa ver-te sorrir. Esse sorriso que você tanto tem escondido, essa felicidade que você tanto vem evitando. Quero que você aceite a minha felicidade e a aproveite até o último segundo - e não precisa aproveitá-la comigo. Aproveite essa felicidade com quem você mais ama, com quem te faz feliz. Eu não me importo de ficar triste, desde que seja a sua tristeza.
E se você aceitar, eu gostaria também de lhe dar o meu amor em troca da sua raiva. Essa raiva que você está guardando com tanto zelo dentro de você, e que o está impedindo de ser feliz. Eu quero que você se livre dessa raiva que te impede de sorrir - quero que você a dê inteira para mim. Use o amor que estou te oferecendo até o ultimo instante. E não precisa compartilhá-lo comigo - pode compartilhar com aquela pessoa especial. Eu não me importo de ficar com raiva, desde que seja a sua raiva.
E eu gostaria também de oferecer-te a minha esperança em troca da sua decepção. Essa decepção que está acabando com você por dentro, e te impedindo de acreditar. Eu quero que você aceite toda a minha esperança, para que você se permita sentir bem novamente. Eu quero que você a aceite de braços abertos, e em troca eu aceito a sua decepção. Para que você possa sorrir por sorrir, e amar por amar, e principalmente, para que você possa acreditar. Eu não me importo de me decepcionar, desde que seja a sua decepção.
E se você quiser, eu te ofereço toda a minha coragem em troca do seu medo. Estou me referindo a esse medo que você está sentindo e que te impede de se entregar. Esse medo que está te prendendo e que não quer deixá-lo tomar suas próprias decisões. Eu quero que você dê as costas ao medo e olhe para frente. Quero vê-lo arriscar. Eu te entrego a minha coragem - eu não preciso dela. Não me importo de ficar com medo, desde que seja o seu medo.
Porque eu quero te ver bem, nem que eu tenha que ficar mal para isso. Estou aqui para te oferecer tudo de bom que eu tenho, em troca que tudo o que está te fazendo mal. Porque eu não me importo de me sentir mal, desde que seja por você.
domingo, 30 de outubro de 2011
Meu reflexo
Havia uma calmaria anormal cobrindo os ares da cidade. A neblina muito densa, o ar excessivamente seco, gelado, mórbido. As pessoas marchavam às ruas como zumbis - os olhos vidrados, os movimentos sem vida, a boca entreaberta que era o espelho do tédio, da chatice compulsória e da extrema melancolia a que estavam condenados. Sim, estavam condenados - lutavam sem razão, viviam sem querer, respiravam por respirar. Já não sentiam, pois a alma estava morta. E o que é, se me permite indagar, alguém desprovido de alma? É tão humano quanto uma pedra jogada na rua.
Robôs - essa é a palavra. Aquelas pessoas eram robôs, condenados à existência infinita - existência apenas, visto que já não eram capazes de viver.
Mas então havia ela. E ela era diferente. Ela estava alheia ao caos. Ela vivia, e viva caminhava por entre os corpos desalmados que atolavam as ruas da cidade. Tudo nela era diferente: Seu jeito de andar repleto de elegância, como se estivesse flutuando; As bochechas coradas, que lhe davam a aparência vívida que tanto a diferenciava dos demais; O ar de riso, onde se misturavam uma alegria quase disfarçada e uma curiosidade acanhada; Os passos que não eram as marchas dadas pelos corpos à sua volta - eram passos repletos de graciosidade. Ela era como uma bailarina em meio a um exército de defuntos. E assim, com sua felicidade única e característica e sua vontade de viver, ela caminhava. Não sabia bem para onde, não sabia nem sequer onde se encontrava. Tudo o que sabia era que havia algo que precisava encontrar, algo que não poderia viver sem. Ninguém poderia.
O silêncio esmagador ameaçava comprimir todos os que ali estavam. O único som que era capaz de quebrá-lo era o dos passos compassados daquelas pessoas-zumbis-robôs, e a melodia delicada que saía por entre os lábios daquela fonte de pureza, em forma de assovio. Apesar da feiúra que a cercava, não parecia incomodada. Pelo contrário - parecia extremamente à vontade. Porque ela enxergava beleza onde não havia.
Ela, inteira bailarina, inteira sonho, magia, unicórnios e ternura, procurava por alguma coisa. Olhava por todos os lados enquanto flutuava em meio ao pavor alheio, inundada em sua própria formosura. E o que procurava, posso afirmar com toda certeza, já não existia - estava extinto. Em um ano qualquer em meio aos milhares que já haviam se passado, aquilo que procurava foi roubado, destruído. E as cinzas que sobraram o vento já se encarregara de levar. O que restava agora era tão pouco que não podia ser percebido, nem sentido, muito menos vivenciado. Mas ainda assim, ela caminhava despreocupada, quase dançando à melodia de seu próprio assovio, enquanto seus olhos procuravam por algo que ela não iria encontrar.
Como era tola! Estava abarrotada de ingenuidade, e não compreendia que o que procurava era tão escasso quanto a alma daqueles corpos que a cercavam. Mas dentro dela, em seu interior, existia algo tão esplêndido que a fazia acreditar. E sobre tudo existia algo tão divino que lhe dava esperança para acreditar. Era como uma rosa que florescia em meio a ervas daninhas. Era maravilhoso e triste ao mesmo tempo. Maravilhoso porque era lindo de se ver, um verdadeiro espetáculo. E triste porque aquele "algo" que existia dentro dela cedo ou tarde iria morrer. Mais especificamente, iria morrer quando ela percebesse que estava buscando por algo que fora a muito erradicado. Iria ser morto pela decepção, pela tristeza, e principalmente pela sensatez - que abriria seus olhos e lhe mostraria a realidade a que estava submetida. E então, quando finalmente esse "algo" dentro dela morresse, sua alma morreria junto, e ela poderia finalmente juntar-se àqueles que agora marcham à sua volta o grito do caos.
O amor. Ela procurava pelo amor - qualquer fragmento dele. Porque ela queria sentir, queria viver. E ela o dividiria - não o queria só para si. Estava disposta a reparti-lo com todos que quisessem um pouquinho do seu amor. Nem precisariam pedir - só precisavam cruzar seu caminho.
E assim, toda ingênua e feliz, sem nem um pouco de medo ou preocupação, ela caminhava por entre o caos, em busca do amor que já não existia.
Bailarinando a esperança, ela caminhava.
Bailarinando a esperança, eu caminho.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Desinibida
Vida, poupe-me de suas limitações. Não quero me sentir presa ao que o destino reservou para mim. Eu não: Eu quero é mais. Quero mais amor correspondido, mais crises de riso, mais tempo desperdiçado. Eu quero mais música, mais beijo, mais conquista. Eu quero mais insônia, café e livros. Quero mais cochilos na rede, mais encheção de cara, mais festa, mais gente. Eu quero mais vida. Eu quero mais eu e você, quero você e eu. Eu quero agente, eu quero nós. Juntos, felizes, despreocupados, com uma garrafa de scotch em uma mão e Mário Quintana na outra. Eu quero, ao seu lado, Caetanear na nossa sala vazia, ainda sem móveis, ouvindo o som da chuva e nos aquecendo ao calor da lareira.
Eu quero te dizer "Eu te amo" sem medo, apenas pelo prazer de dizer. E eu quero, sobretudo, honestidade. Quando me sentir feliz, que seja de verdade. Se eu me sentir triste, que eu me sinta melhor depois. Ao me sentir preocupada, que seja por alguém. E quando sentir ciúmes, que seja por você. Quando me sentir sozinha, que você me abrace forte, apertado, e me diga com toda a sinceridade do mundo "Eu estou aqui com você". E se eu me apaixonar, que seja recíproco. E se eu quiser vencer, que os obstáculos não me impeçam, que não me derrubem, que não me enfraqueçam. E se eu me sentir fraca, que você me ajude a levantar. Que eu tenha o que lhe dizer ao te ver triste, e que eu saiba cuidar de você. Que eu saiba cuidar de nós. E que esse "nós" dure muito tempo. Que dure pra sempre.
Porque eu sou um ser desinibido. Não quero existir, eu quero viver. Não vou me contentar com limites. Eu quero é mais.
Eu quero te dizer "Eu te amo" sem medo, apenas pelo prazer de dizer. E eu quero, sobretudo, honestidade. Quando me sentir feliz, que seja de verdade. Se eu me sentir triste, que eu me sinta melhor depois. Ao me sentir preocupada, que seja por alguém. E quando sentir ciúmes, que seja por você. Quando me sentir sozinha, que você me abrace forte, apertado, e me diga com toda a sinceridade do mundo "Eu estou aqui com você". E se eu me apaixonar, que seja recíproco. E se eu quiser vencer, que os obstáculos não me impeçam, que não me derrubem, que não me enfraqueçam. E se eu me sentir fraca, que você me ajude a levantar. Que eu tenha o que lhe dizer ao te ver triste, e que eu saiba cuidar de você. Que eu saiba cuidar de nós. E que esse "nós" dure muito tempo. Que dure pra sempre.
Porque eu sou um ser desinibido. Não quero existir, eu quero viver. Não vou me contentar com limites. Eu quero é mais.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
O âmago da minha existência
Estou perdida no subúrbio da vida, e por mais que eu tente me encontrar, eu não consigo. Perdi-me no meio dos meus equívocos, da turbulência, do caos, da pressão jogada acima de mim todo o tempo. Eu fui, com o passar dos anos, afogada, esmagada e torturada pelo que as pessoas a minha volta sempre jogaram sobre mim. Eu fui modelada por meus pais para ser o que deveria ser. Agir como deveria agir. Calar-me e escutar o que me estipulam. Sentar e observar. Aceitar e permanecer quieta.
Então eu pergunto: Será que vale a pena? Não estaria eu desperdiçando a minha vida para viver sob os domínios do mundo que me cerca? Com toda a sinceridade eu afirmo: Sou uma marionete humana. Aquilo que é meu por natureza foi a muito tempo trancado em algum lugar bizarro, e se perdeu. O meu verdadeiro eu está preso a esse corpo, e não consegue sair. E tudo o que me resta são meus pensamentos esquizofrênicos, meu amor platônico, minhas frustrações acumuladas e o medo que tenho de viver. Meus pensamentos me representam, e eu, na tentativa de fazê-los realidade, os transformo em palavras.
Então eu escrevo.
Escrever é a minha identidade. É a única forma que encontrei de me comunicar com o universo. Porque o que escrevo é o que sou, e não o que querem que eu seja. É uma verdade única, toda minha, moldada com aquilo que fui, sou e quero ser. Eis o que minhas verdades escritas afirmam: Sou o errado. Sou o escuro. Sou o abismo. Sou o que você considera louco. Sou apaixonada. Sou razoavelmente feliz. Sinceramente, sou uma bagunça. Mas sou uma bagunça organizada.
E com um passo de cada vez, caminho para o inimaginável, com meus pensamentos, meus escritos e minhas verdades. E no meio dessa viajem, eu sonho. Não me venha dizer para parar de fantasiar, para viver a realidade. Essa realidade infame não me agrada. Essas pessoas hipócritas não me agradam. A sua verdade é cruel demais para se querer viver dela, então eu crio a minha própria.
Porque Deus me deu o direito de sonhar. Então eu sonho.
Sonho com o que é melhor, com o que me agrada. Com o que deveria ser verdade, mas não é. Porque eu gosto do pitoresco, daquilo que me faz rir. Vida. E isso, essa realidade tosca e inexorável na qual vivemos não se pode chamar de vida. Isso é o que eu chamo de ápice de perversidade.
Sei lá. Acho que construí esse muro de concreto em minha volta, porque tenho medo de que me invadam. Mas apesar disso, sou eu. Vivo aqui dentro, apavorada demais para sair, mas com uma vontade imensa de gritar para que alguém possa me ouvir. E, quem sabe, me mostrar que a vida lá fora pode ser melhor.
Mas até lá, continuo assim, sonhando e escrevendo. Vivendo o que dizem meus sonhos, escrevendo o que sente a minha alma. E sendo vítima das verdades que eu mesma inventei para mim.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Epifania
Estou aqui a te escrever.
Desinibida e com um medo insuportável. Com tanta coisa para falar e não podendo dizer nada. Sendo afogada pela minha ânsia de acertar, mesmo sabendo que esse provavelmente será meu próximo erro. E a única certeza que tenho é que estou persistindo em algo que eu sei não ser o melhor para mim. Talvez, eu digo talvez, seja hora de abdicar esse ser que vive aqui dentro. Talvez o melhor a fazer seja, de uma vez por todas, extirpar o que faz de mim capacho. Honestamente, sinto que minha alma necessita de um sacrifício, um que seja forte o suficiente para conseguir abnegar minhas incertezas, meus equívocos, minha prolixidade desnecessária, minha ingenuidade excessiva. Porque, se tem uma coisa que eu aprendi, é que o excesso faz mal, e de vez em quando nós precisamos fazer uma faxina dentro de nós. Jogar fora o que nos machuca, ainda que seja algo lindo, profundo, verdadeiro. Ainda que se trate do amor.
Sabe, a minha vida inteira eu passei tentando ser o melhor pra mim e para os outros. Ainda que isso custasse a minha verdadeira identidade, o meu verdadeiro eu, eu tentava agradar o mundo à minha volta, muitas vezes esquecendo de agradar a mim mesma. E nesse percurso pérfido, acabei por acumular sentimentos desnecessários. Como se eu fosse um baú esquecido, cuja única finalidade fosse guardar objetos sem valor, mas que se tem dó de jogar fora. Sinceramente, esse baú está cheio, e não cabe mais nada aqui dentro.
O que estou querendo dizer é que está na hora de eu me livrar do que está me machucando. E o que está me machucando, o que sempre me machucou, foi esse sentimento excruciante que eu sinto por você, e que é tão puro, tão intenso, tão bonito... Sobretudo quando é recíproco. O que, obviamente, não é o caso.
O amor em excesso chega a ser nocivo, devo acrescentar. E eu acho que te amo demais. Te amo tanto que isso é tudo o que eu sinto. Te amo tanto que consegui destruir meu coração, esmagando-o com o meu amor cúmulo. Sim, antes aqui havia um coração, eu sei que havia, porque ele doía quando você não estava por perto. Agora, tudo o que sobrou foi um imenso vácuo. Pois nesse instante eu sou o abismo do mundo, preenchido apenas pelo vazio da vida. É que sem você, eu sou assim: Um nada.
Hoje, quando eu acordei, tive uma pequena epifania. Eu percebi subitamente o que vinha fazendo de errado todos esses anos. Eu estava em conflito comigo mesma, querendo demais coisas que eu não posso ter. E você é como uma estrela distante, extremamente inalcançável para mim, extraordinariamente sublime para o meu enorme grau de disformia. Um dia, gostaria de ressaltar, eu posso me arrepender de ter desistido. Mas antes disso eu me arrependeria de ter tentado demais, e fracassado.
Por mais que eu tenha certeza de que renegar esse sentimento que está se alimentando de minhas forças seja o melhor que posso fazer, temo que não conseguirei me livrar de tudo o que sinto. Tenho medo de que o excesso tenha se apoderado de mim, medo de que essa já não seja eu, mas sim um abrigo para os meus sentimentos. Não posso mentir, já tentei isso antes. Já tentei te esquecer. Já tentei desistir. Não é que eu goste de sofrer... É que, por mais que eu me obrigue a te esquecer, eu não consigo...
É essa minha vontade louca de querer o que não pode ser meu.
Aquele beijo,
De alguém que te ama demais.
Aquele beijo,
De alguém que te ama demais.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Sua ausência
E o que fazer com esse sentimento que me faz tão dependente de você? Eu careço seu sorriso, seu olhar, suas piadas bobas. E esse seu jeito que me faz ficar tão purificada, tão cheia de mim. Tão eu. Digo-lhe aqui, com toda honestidade, que não sei viver sem você. Sinceramente, não sei. Porque quando você está por perto, eu me sinto viva. E isso é novo para mim.
Não sei onde quero chegar com essas minhas palavras temerárias e essa minha inocuidade genuína. Tudo o que faço é escrever o que sinto, e é isso que diz o meu coração. É assim tão verdadeiro, é assim tão inocente... Sei lá. Acho que só estou desse jeito, meio idiota, porque estou apaixonada. E o amor deixa agente louco.
Apesar de toda a minha ignorância, de uma coisa eu tenho certeza: Essas palavras são puras, tão puras quanto as lágrimas de um ser apaixonado e que sofre. É real, acredite. Essas palavras traduzem o meu ser. E com essas palavras cheias de franqueza, quero pedir um favor à você. É um favor grandioso, eu sei, mas necessário. Não para você, mas para a minha sanidade. Eu peço aqui que você nunca me abandone.
As pessoas tem o costume de me abandonar. Isso não é problema seu. Isso é entre eu e o universo, eu e o infinito. Mas seria bom se você soubesse de antemão do estrago que causaria caso se afastasse de mim. Repito com toda a honestidade de outrora: Não sei viver sem você. Sinceramente, não sei.
Com a tua ausência, eu não suportaria a dor. Sou uma pessoa fraca, cheia de pusilanimidade. Eu não saberia lidar com algo tão grandioso. E quem mais, quem mais nesse mundo me faria sentir assim, tão viva? Por quem mais eu passaria horas intermináveis a criar expectativas? (Sou dessas. Não é saudável viver de expectativas, eu sei bem disso. É a pior dor do mundo, a de acordar e perceber que tudo não passou de um sonho. Dói demais.) Quem, se não você, me faria perder o fôlego somente pelo ato de encostar em mim? Por isso eu digo, com toda a convicção que Deus me deu: Ninguém mais nesse mundo teria o poder que você tem sobre mim. Porque você é único, eu sou única, e essa palpitação boba que meu coração faz quando te vê também é.
É verdade, eu me apaixonei por você. Você inteiro - não metade, não pedaço. E se você sumisse da minha vida, se você por acaso me deixasse, eu não poderia existir. Eu teria que sumir da minha vida também.
Porque afinal o amor é isso, é viver o outro em toda a sua plenitude. E não existe plenitude pela metade. Ou tá junto ou não tá.
Não sei onde quero chegar com essas minhas palavras temerárias e essa minha inocuidade genuína. Tudo o que faço é escrever o que sinto, e é isso que diz o meu coração. É assim tão verdadeiro, é assim tão inocente... Sei lá. Acho que só estou desse jeito, meio idiota, porque estou apaixonada. E o amor deixa agente louco.
Apesar de toda a minha ignorância, de uma coisa eu tenho certeza: Essas palavras são puras, tão puras quanto as lágrimas de um ser apaixonado e que sofre. É real, acredite. Essas palavras traduzem o meu ser. E com essas palavras cheias de franqueza, quero pedir um favor à você. É um favor grandioso, eu sei, mas necessário. Não para você, mas para a minha sanidade. Eu peço aqui que você nunca me abandone.
As pessoas tem o costume de me abandonar. Isso não é problema seu. Isso é entre eu e o universo, eu e o infinito. Mas seria bom se você soubesse de antemão do estrago que causaria caso se afastasse de mim. Repito com toda a honestidade de outrora: Não sei viver sem você. Sinceramente, não sei.
Com a tua ausência, eu não suportaria a dor. Sou uma pessoa fraca, cheia de pusilanimidade. Eu não saberia lidar com algo tão grandioso. E quem mais, quem mais nesse mundo me faria sentir assim, tão viva? Por quem mais eu passaria horas intermináveis a criar expectativas? (Sou dessas. Não é saudável viver de expectativas, eu sei bem disso. É a pior dor do mundo, a de acordar e perceber que tudo não passou de um sonho. Dói demais.) Quem, se não você, me faria perder o fôlego somente pelo ato de encostar em mim? Por isso eu digo, com toda a convicção que Deus me deu: Ninguém mais nesse mundo teria o poder que você tem sobre mim. Porque você é único, eu sou única, e essa palpitação boba que meu coração faz quando te vê também é.
É verdade, eu me apaixonei por você. Você inteiro - não metade, não pedaço. E se você sumisse da minha vida, se você por acaso me deixasse, eu não poderia existir. Eu teria que sumir da minha vida também.
Porque afinal o amor é isso, é viver o outro em toda a sua plenitude. E não existe plenitude pela metade. Ou tá junto ou não tá.
sábado, 22 de outubro de 2011
Brasil: O país diferente
“E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar”. Sábias as palavras de uma das escritoras mais influentes do nosso país: Clarice Lispector. Essa frase, produto de toda uma vida dedicada à escrita, nos deixa em aberto a questão da “diferença”. Os seres humanos são, por natureza, diferentes uns dos outros. E ainda assim, mesmo sabendo que não existem duas digitais iguais, as pessoas ainda criticam quem é diferente.
Vivemos em uma geração onde nós somos o espelho do mundo. O mundo é o que é hoje por conseqüência de nossas ações, de nossa linha de raciocínio, do que consideramos ser ético ou não. Desde crianças, somos influenciados pela mídia a seguir estereótipos considerados “legais” pela sociedade. A televisão, por exemplo, coloca na cabeça das pessoas que o bonito é usar certo tipo de cabelo, e o feio é usar certo tipo de roupa. Somos esmagados por padrões a serem seguidos. E não seguir esses padrões é ser diferente. E ser diferente, para a sociedade, não é legal.
Em um país como o Brasil, com tanta diversidade de raças, ser diferente é inevitável, e conviver com essas diferenças é ainda mais. São índios, negros, brancos, pardos, japoneses... É gente de todo o tipo, é uma miscigenação louca, é o grito da diversidade. E é uma diversidade linda, mas que não parece ser forte o bastante para quebrar os paradigmas existentes na nossa realidade. Porque as diferenças geram o preconceito, e este existe de monte por aí.
Mistura de cores, mistura de culturas, mistura, mistura, mistura. Diversidade. Este é o Brasil, este é o nosso país. Nós somos o país das diferenças, e saber conviver com elas é fundamental. Não devemos ensinar às nossas crianças que todos precisam ser iguais, que devemos ser como querem que nós sejamos. Devemos ensinar a elas que não é preciso ser igual a ninguém para ser considerado legal. Devemos ensinar que ser diferente é bonito. Ser diferente é Brasil.
Olá leitores! Agora são exatamente três horas da manhã, e eu acabei de escrever essa redação como um exercício para amanhã. É porque amanhã é o segundo dia do ENEM, e eu terei que fazer, além das 90 questões, uma redação. Eu precisava muito treinar, por isso peguei um tema que achei interessante, que caiu no ENEM de 2007: O desafio de se conviver com as diferenças. Espero que tenham gostado do texto! Agora eu preciso urgentemente dormir, preciso descançar porque amanhã é dia... Ah, e eu corrigi a minha prova de hoje. Acertei 51 questões de 90... Não estou plenamente satisfeita, mas foi uma surpresa para mim, principalmente por eu não ter estudado nadinha desde que eu parei de fazer meu cursinho... Bom, agora só me resta dormir e rezar! Que seja o que Deus quiser...
Boa Noite!
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Entorpecida
Eu tenho essa mania idiota de amar as pessoas erradas. E aqui estou eu novamente, batendo insistentemente na mesma tecla. Eu estou tão fraca que perceber o meu erro já não me surpreende. No fundo, bem no fundo, eu sei que sempre irei gostar de quem não gosta de mim. Eu simplesmente sei. Mas o meu "saber" de nada serve a não ser para causar aquela sensação de Déjà Vu, aquele arrependimento repleto de descontentação, aquela angústia que sentimos quando cometemos o mesmo erro duas vezes. E eu acho que essa tragédia íntima acontece apenas para me fazer sentir viva. Porque no fundo eu sei que sou uma pessoa entorpecida. Mas eu também sei que quando amo, algo dentro de mim ressuscita, toma vida. Porque somente o ato de amar já me possibilita sentir. Ser. Viver. E quando, por infelicidade do destino, a vida pisa em cima desse meu amor, a coisa dentro de mim volta a morrer. Assim tão rápido, assim tão fácil, assim quase indolor. E eu digo quase, porque é uma dor diferente, é uma dor que nós sentimos somente quando percebemos que está faltando algo dentro de nós. E desse jeito estranho, quase louco, o ciclo continua. Meu coração morre e ressuscita. Morre e ressuscita. Morre e ressuscita...
Ele morre.
Até o momento em que eu encontre alguém que não gosta de mim e ame novamente.
Então ele ressuscita.
terça-feira, 18 de outubro de 2011
A paz da solidão
Deixe-me curtir a minha solidão.
Esse é o meu espaço.
Aqui eu fecho os olhos e vou para longe dos problemas do mundo.
Posso ser eu mesma.
Aqui, sozinha, eu desconsidero os fatos
Considerando o improvável.
Aqui, valorizo o vazio e o torno esplêndido.
Aqui, eu vejo graça no desajeitado,
Eu aceito o que é rejeitado.
Aqui, eu sorrio para mim mesma...
Sem motivos,
Sem pressão,
Apenas pelo prazer de sorrir.
E só assim, de mãos dadas com a paz da minha solidão
É que eu consigo viver.
Porque não há a pressão esmagadora imposta pela sociedade sobre mim.
Aqui, eu consigo respirar, e só respirar.
Sim, pelo amor à minha vida eu respiro.
Por isso não me venha importunar...
Deixe-me curtir a minha solidão.
Esse é o meu espaço.
Aqui eu fecho os olhos e vou para longe dos problemas do mundo.
Posso ser eu mesma.
Aqui, sozinha, eu desconsidero os fatos
Considerando o improvável.
Aqui, valorizo o vazio e o torno esplêndido.
Aqui, eu vejo graça no desajeitado,
Eu aceito o que é rejeitado.
Aqui, eu sorrio para mim mesma...
Sem motivos,
Sem pressão,
Apenas pelo prazer de sorrir.
E só assim, de mãos dadas com a paz da minha solidão
É que eu consigo viver.
Porque não há a pressão esmagadora imposta pela sociedade sobre mim.
Aqui, eu consigo respirar, e só respirar.
Sim, pelo amor à minha vida eu respiro.
Por isso não me venha importunar...
Deixe-me curtir a minha solidão.
sábado, 15 de outubro de 2011
São quatro letras e uma infinidade de decepções...
É complicado entender esses assuntos do coração. Um belo dia você acorda e percebe que está amando – rápido e inesperado assim. No começo a chama está forte e te esquenta – são os melhores sentimentos acompanhados das melhores sensações. A fome do coração invade a sua alma, e você, faminto, se alimenta de sonhos e cria falsas expectativas. Estas são as mais traiçoeiras, e tenho certeza de que você as conhece bem. Sim, são aqueles pensamentos que tens antes de dormir, nos quais o seu amor é correspondido. São aqueles pensamentos nos quais tudo dá certo, aqueles que se aproveitam de sua fraqueza amorosa e colocam falsas verdades em sua cabeça. As falsas expectativas são como uma droga – quando você começa a criá-las, é difícil parar – a não ser que você conheça a desilusão. Ah, a desilusão, não queira conhecê-la. Eu poderia apresentá-la a você, pois nós já somos muito íntimos, mas eu estaria sendo cruel se o fizesse. Ela é a que causa mais mal, ela consegue acabar com o coração. E normalmente aparece quando menos se espera – lá está você, de mãos dadas com suas falsas expectativas... E de repente a desilusão entra em sua vida sem ser convidada, e causa um estrago terrível.
Não, não queira entender os assuntos do coração, não queira entrar nesse mundo louco. Eu costumo dizer que o amor é um vilão disfarçado, e é impossível conhecê-lo sem tê-lo vivido. E quando você o vive, já não tem certeza de nada, porque ele tem o poder de transformá-lo por completo...
Aqui estou eu, tentando descrever o amor, falando sobre falsas expectativas e desilusões. Ultimamente venho tendo sentimentos que eu nem mesmo sei o nome. É assustador, eu confesso, e isso me deixa insegura. Tenho medo de estar passando por algum tipo de metamorfose bizarra, medo de que meu coração esteja sendo invadido, e que minha defesa natural não seja capaz de defendê-lo. Devo estar sobre os efeitos dessa droga, e talvez demore a passar – eu poderia tomar um remédio, mas não conheço nenhum antídoto que seja capaz de curar o veneno do amor. Acho que preciso de uma chuveirada de sensatez, pois a minha loucura me engana – se acho que estou certa a falar de algo assim tão maior que eu, então estou errada.
E a minha felicidade, aquela que estava aqui agora pouco, ela simplesmente sumiu, como se a tivessem sequestrado. O amor tem essas manias feias, de roubar o que é bom – ele o faz tão sorrateiramente que quando você se dá conta, só lhe resta um imenso vazio no lugar do que antes havia algo. Pois é, engana-se quem pensa que o amor é um sentimento bom – ele apenas se faz de. Lhe mostra falsas verdades, lhe cria expectativas, lhe rouba a razão, lhe admite a loucura, lhe dá esperança e depois a tira de você. E assim ele pensa que está certo e continua, continua, continua... Até o dia em que você tranca o seu coração e joga a chave fora.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
O livro das mentiras
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| Tracy |
Mas somente seu corpo estava quebrado.
Não é tão simples,
Nem é fácil de explicar.
"Vamos deixar assim", ela disse.
E fecha o livro sagrado das mentiras,
E cobre seus olhos,
Negando a si mesma o que pensou acontecer.
Este poema se chama "O livro das mentiras", e é recitado por Tracy, a protagonista do filme "Aos treze".
O filme Aos treze conta a história de Tracy, uma adolescente inteligente, com poucos amigos e baixa auto-estima. Um dia ela conhece Evie, a garota mais popular da escola - exatamente o oposto dela - e as duas tornam-se amigas. É nesse ponto que a vida de Tracy dá uma reviravolta, e ela conhece uma forma de vida que ainda não havia conhecido. Evie a apresenta ao mundo das drogas, do sexo e da auto-mutilação, criando uma nova Tracy e deixando-a em conflito com sua vida.
A primeira vez que eu assisti a esse filme eu era uma criança, e devia ter entre doze e treze anos. Não preciso dizer que adorei, não é? As crianças têm a cabeça muito fechada, e se deixam influenciar fácil demais e rápido demais - foi o que aconteceu comigo. Lembro que fiquei entusiasmada com o estilo de vida que Tracy adota depois de conhecer Evie - As festas, os piercings, a popularidade. É claro que não comecei a usar drogas ou fazer qualquer coisa que não devia, mas ainda assim eu achava tudo aquilo o máximo. Quase toda semana eu ia até a locadora e alugava o mesmo filme para assistir com as minhas amigas, e depois nós fantasiávamos como seria nossa vida se nós fossemos como a Tracy e a Evie.
Que vergonha de mim mesma.
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| Tracy e Evie |
O filme "Aos Treze" aborda vários assuntos polêmicos - as drogas, problemas familiares, e até a auto-mutilação. Muitas pessoas nunca ouviram falar do "Cutting", apesar de ser algo muito comum entre os adolescentes. Esse assunto é muito abordado nos Estados Unidos, mas aqui no Brasil poucas pessoas sabem o que é e o porquê dos adolescentes praticarem o mesmo.
O Cutting é o ato de se auto-mutilar. Normalmente ele é praticado cortando-se partes do corpo com lâminas, facas, gilete - qualquer coisa "afiada". Acontece normalmente quando a pessoa está passando por um momento difícil - depressão, baixa auto-estima, ou até como uma forma de punição. A maioria dos adeptos ao Cutting são adolescentes, mas também há casos de adultos que adotam a prática.
Os praticantes do Cutting sempre irão esconder suas marcas, por vergonha ou medo. Eles afirmam que é como uma droga - quando você começa, não consegue mais parar. Simplesmente acham que, machucando-se por fora, conseguirão "abafar" a dor de dentro.
O Cutting é diferente do Masoquismo, pois o adolescente não sente prazer ao se cortar - ele quer apenas acabar com a dor da alma, provocando uma dor física.
A personagem Tracy pratica o Cutting sempre que algo que ela considera ruim acontece. Ela esconde as marcas dos pulsos com camisetas de manga comprida, e sua mãe nunca desconfiava de nada, até o momento em que contam a ela.
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| Momento em que a tia de Evie mostra as marcas no pulso de Tracy para a sua mãe. |
Está mais do que na hora de colocarmos algo na cabeça dos jovens de hoje em dia: Existem formas de diversão saudáveis, existem caminhos certos e que fazem bem, existem os amigos de verdade - que irão te orientar - e aqueles que irão junto com você. É tudo uma questão de escolha.
Para finalizar esse Post, que na verdade é sobre o poema e não sobre o filme, quero mostrar algo muito legal que eu e minhas amigas fizemos na escola. A tarefa era a seguinte: Escolher um poema qualquer e fazer a releitura do mesmo. Nós escolhemos o poema "O livro das mentiras" e fizemos uma releitura cômica dele, em forma de video. Ficou muito legal! Assista:
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