sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Misantropia



Ela olhou no espelho e se viu um lobo. Sob a luz amarelada do banheiro, seu reflexo a encarava: olhos hostis, a boca fechada raivosamente - portava um ar de rebeldia melancolicamente diabólico. Era o resultado de sua vida politicamente incorreta.
O momento era oportuno: Apodrecia como uma maçã esquecida em baixo da cama. Ela caía, a garota, em uma espiral para o fundo, e além...
Falava tudo desapegadamente, como se fosse uma peça solta e desenganchada. No final, depois de tantas vírgulas, eis que permanecia estranhamente longe. E quando acordava no meio da madrugada por causa de um sonho ruim, olhava no espelho e se via um lobo: Sozinha. Perigosamente carnívora.
O escudo que devia protegê-la virou-se contra ela. O príncipe enraivou-se contra a princesa, o espelho contra a rainha: Seu medo a comeu viva. E a coitada, menina-lobo, batom vermelho-sangue - ela simplesmente sorriu. Era misantropia pura, a garota...

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