segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sorria :)

Hoje eu não quero falar sobre seus defeitos, nem admirar sua perfeição. Não quero dizer o quanto te amo, e nem como eu me odeio por isso. Não estou aqui para lamentar sua indiferença, ou para acusar suas palavras-não-ditas, muito menos para chorar um amor não correspondido. 
Estou aqui hoje para te fazer uma proposta. Antes de tudo, vamos fazer de conta que nós nunca nos conhecemos. Vamos partir do zero. Eu quero que você não pense em mim - quero que você pense apenas em você. Não se preocupe comigo. Apenas considere a proposta que estou a te oferecer.
O que tenho em mente é o seguinte: Eu quero fazer uma troca. Estou disposta a lhe entregar a minha felicidade em troca de sua tristeza, para que assim eu possa ver-te sorrir. Esse sorriso que você tanto tem escondido, essa felicidade que você tanto vem evitando. Quero que você aceite a minha felicidade e a aproveite até o último segundo - e não precisa aproveitá-la comigo. Aproveite essa felicidade com quem você mais ama, com quem te faz feliz. Eu não me importo de ficar triste, desde que seja a sua tristeza.
E se você aceitar, eu gostaria também de lhe dar o meu amor em troca da sua raiva. Essa raiva que você está guardando com tanto zelo dentro de você, e que o está impedindo de ser feliz. Eu quero que você se livre dessa raiva que te impede de sorrir - quero que você a dê inteira para mim. Use o amor que estou te oferecendo até o ultimo instante. E não precisa compartilhá-lo comigo - pode compartilhar com aquela pessoa especial. Eu não me importo de ficar com raiva, desde que seja a sua raiva.
E eu gostaria também de oferecer-te a minha esperança em troca da sua decepção. Essa decepção que está acabando com você por dentro, e te impedindo de acreditar. Eu quero que você aceite toda a minha esperança, para que você se permita sentir bem novamente. Eu quero que você a aceite de braços abertos, e em troca eu aceito a sua decepção. Para que você possa sorrir por sorrir, e amar por amar, e principalmente, para que você possa acreditar. Eu não me importo de me decepcionar, desde que seja a sua decepção.
E se você quiser, eu te ofereço toda a minha coragem em troca do seu medo. Estou me referindo a esse medo que você está sentindo e que te impede de se entregar. Esse medo que está te prendendo e que não quer deixá-lo tomar suas próprias decisões. Eu quero que você dê as costas ao medo e olhe para frente. Quero vê-lo arriscar. Eu te entrego a minha coragem - eu não preciso dela. Não me importo de ficar com medo, desde que seja o seu medo.
Porque eu quero te ver bem, nem que eu tenha que ficar mal para isso. Estou aqui para te oferecer tudo de bom que eu tenho, em troca que tudo o que está te fazendo mal. Porque eu não me importo de me sentir mal, desde que seja por você. 



domingo, 30 de outubro de 2011

Meu reflexo

Havia uma calmaria anormal cobrindo os ares da cidade. A neblina muito densa, o ar excessivamente seco, gelado, mórbido. As pessoas marchavam às ruas como zumbis - os olhos vidrados, os movimentos sem vida, a boca entreaberta que era o espelho do tédio, da chatice compulsória e da extrema melancolia a que estavam condenados. Sim, estavam condenados - lutavam sem razão, viviam sem querer, respiravam por respirar. Já não sentiam, pois a alma estava morta. E o que é, se me permite indagar, alguém desprovido de alma? É tão humano quanto uma pedra jogada na rua. 
Robôs - essa é a palavra. Aquelas pessoas eram robôs, condenados à existência infinita - existência apenas, visto que já não eram capazes de viver. 
Mas então havia ela. E ela era diferente. Ela estava alheia ao caos. Ela vivia, e viva caminhava por entre os corpos desalmados que atolavam as ruas da cidade. Tudo nela era diferente: Seu jeito de andar repleto de elegância, como se estivesse flutuando; As bochechas coradas, que lhe davam a aparência vívida que tanto a diferenciava dos demais; O ar de riso, onde se misturavam uma alegria quase disfarçada e uma curiosidade acanhada; Os passos que não eram as marchas dadas pelos corpos à sua volta - eram passos repletos de graciosidade. Ela era como uma bailarina em meio a um exército de defuntos. E assim, com sua felicidade única e característica e sua vontade de viver, ela caminhava. Não sabia bem para onde, não sabia nem sequer onde se encontrava. Tudo o que sabia era que havia algo que precisava encontrar, algo que não poderia viver sem. Ninguém poderia.
O silêncio esmagador ameaçava comprimir todos os que ali estavam. O único som que era capaz de quebrá-lo era o dos passos compassados daquelas pessoas-zumbis-robôs, e a melodia delicada que saía por entre os lábios daquela fonte de pureza, em forma de assovio. Apesar da feiúra que a cercava, não parecia incomodada. Pelo contrário - parecia extremamente à vontade. Porque ela enxergava beleza onde não havia.
Ela, inteira bailarina, inteira sonho, magia, unicórnios e ternura, procurava por alguma coisa. Olhava por todos os lados enquanto flutuava em meio ao pavor alheio, inundada em sua própria formosura. E o que procurava, posso afirmar com toda certeza, já não existia - estava extinto. Em um ano qualquer em meio aos milhares que já haviam se passado, aquilo que procurava foi roubado, destruído. E as cinzas que sobraram o vento já se encarregara de levar. O que restava agora era tão pouco que não podia ser percebido, nem sentido, muito menos vivenciado. Mas ainda assim, ela caminhava despreocupada, quase dançando à melodia de seu próprio assovio, enquanto seus olhos procuravam por algo que ela não iria encontrar.
Como era tola! Estava abarrotada de ingenuidade, e não compreendia que o que procurava era tão escasso quanto a alma daqueles corpos que a cercavam. Mas dentro dela, em seu interior, existia algo tão esplêndido que a fazia acreditar. E sobre tudo existia algo tão divino que lhe dava esperança para acreditar. Era como uma rosa que florescia em meio a ervas daninhas. Era maravilhoso e triste ao mesmo tempo. Maravilhoso porque era lindo de se ver, um verdadeiro espetáculo. E triste porque aquele "algo" que existia dentro dela cedo ou tarde iria morrer. Mais especificamente, iria morrer quando ela percebesse que estava buscando por algo que fora a muito erradicado. Iria ser morto pela decepção, pela tristeza, e principalmente pela sensatez - que abriria seus olhos e lhe mostraria a realidade a que estava submetida. E então, quando finalmente esse "algo" dentro dela morresse, sua alma morreria junto, e ela poderia finalmente juntar-se àqueles que agora marcham à sua volta o grito do caos.
O amor. Ela procurava pelo amor - qualquer fragmento dele. Porque ela queria sentir, queria viver. E ela o dividiria - não o queria só para si. Estava disposta a reparti-lo com todos que quisessem um pouquinho do seu amor. Nem precisariam pedir - só precisavam cruzar seu caminho.
E assim, toda ingênua e feliz, sem nem um pouco de medo ou preocupação, ela caminhava por entre o caos, em busca do amor que já não existia.
Bailarinando a esperança, ela caminhava. 
Bailarinando a esperança, eu caminho.


sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Desinibida

Vida, poupe-me de suas limitações. Não quero me sentir presa ao que o destino reservou para mim. Eu não: Eu quero é mais. Quero mais amor correspondido, mais crises de riso, mais tempo desperdiçado. Eu quero mais música, mais beijo, mais conquista. Eu quero mais insônia, café e livros. Quero mais cochilos na rede, mais encheção de cara, mais festa, mais gente. Eu quero mais vida. Eu quero mais eu e você, quero você e eu. Eu quero agente, eu quero nós. Juntos, felizes, despreocupados, com uma garrafa de scotch em uma mão e Mário Quintana na outra. Eu quero, ao seu lado, Caetanear na nossa sala vazia, ainda sem móveis, ouvindo o som da chuva e nos aquecendo ao calor da lareira. 
Eu quero te dizer "Eu te amo" sem medo, apenas pelo prazer de dizer. E eu quero, sobretudo, honestidade. Quando me sentir feliz, que seja de verdade. Se eu me sentir triste, que eu me sinta melhor depois. Ao me sentir preocupada, que seja por alguém. E quando sentir ciúmes, que seja por você. Quando me sentir sozinha, que você me abrace forte, apertado, e me diga com toda a sinceridade do mundo "Eu estou aqui com você". E se eu me apaixonar, que seja recíproco. E se eu quiser vencer, que os obstáculos não me impeçam, que não me derrubem, que não me enfraqueçam. E se eu me sentir fraca, que você me ajude a levantar. Que eu tenha o que lhe dizer ao te ver triste, e que eu saiba cuidar de você. Que eu saiba cuidar de nós. E que esse "nós" dure muito tempo. Que dure pra sempre.
Porque eu sou um ser desinibido. Não quero existir, eu quero viver. Não vou me contentar com limites. Eu quero é mais.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O âmago da minha existência

Estou perdida no subúrbio da vida, e por mais que eu tente me encontrar, eu não consigo. Perdi-me no meio dos meus equívocos, da turbulência, do caos, da pressão jogada acima de mim todo o tempo. Eu fui, com o passar dos anos, afogada, esmagada e torturada pelo que as pessoas a minha volta sempre jogaram sobre mim. Eu fui modelada por meus pais para ser o que deveria ser. Agir como deveria agir. Calar-me e escutar o que me estipulam. Sentar e observar. Aceitar e permanecer quieta.
Então eu pergunto: Será que vale a pena? Não estaria eu desperdiçando a minha vida para viver sob os domínios do mundo que me cerca? Com toda a sinceridade eu afirmo: Sou uma marionete humana. Aquilo que é meu por natureza foi a muito tempo trancado em algum lugar bizarro, e se perdeu. O meu verdadeiro eu está preso a esse corpo, e não consegue sair. E tudo o que me resta são meus pensamentos esquizofrênicos, meu amor platônico, minhas frustrações acumuladas e o medo que tenho de viver. Meus pensamentos me representam, e eu, na tentativa de fazê-los realidade, os transformo em palavras.
Então eu escrevo.
Escrever é a minha identidade. É a única forma que encontrei de me comunicar com o universo. Porque o que escrevo é o que sou, e não o que querem que eu seja. É uma verdade única, toda minha, moldada com aquilo que fui, sou e quero ser. Eis o que minhas verdades escritas afirmam: Sou o errado. Sou o escuro. Sou o abismo. Sou o que você considera louco. Sou apaixonada. Sou razoavelmente feliz. Sinceramente, sou uma bagunça. Mas sou uma bagunça organizada.
E com um passo de cada vez, caminho para o inimaginável, com meus pensamentos, meus escritos e minhas verdades. E no meio dessa viajem, eu sonho. Não me venha dizer para parar de fantasiar, para viver a realidade. Essa realidade infame não me agrada. Essas pessoas hipócritas não me agradam. A sua verdade é cruel demais para se querer viver dela, então eu crio a minha própria.
Porque Deus me deu o direito de sonhar. Então eu sonho.
Sonho com o que é melhor, com o que me agrada. Com o que deveria ser verdade, mas não é. Porque eu gosto do pitoresco, daquilo que me faz rir. Vida. E isso, essa realidade tosca e inexorável na qual vivemos não se pode chamar de vida. Isso é o que eu chamo de ápice de perversidade.
Sei lá. Acho que construí esse muro de concreto em minha volta, porque tenho medo de que me invadam. Mas apesar disso, sou eu. Vivo aqui dentro, apavorada demais para sair, mas com uma vontade imensa de gritar para que alguém possa me ouvir. E, quem sabe, me mostrar que a vida lá fora pode ser melhor.
Mas até lá, continuo assim, sonhando e escrevendo. Vivendo o que dizem meus sonhos, escrevendo o que sente a minha alma. E sendo vítima das verdades que eu mesma inventei para mim.



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Epifania

Estou aqui a te escrever.
Desinibida e com um medo insuportável. Com tanta coisa para falar e não podendo dizer nada. Sendo afogada pela minha ânsia de acertar, mesmo sabendo que esse provavelmente será meu próximo erro. E a única certeza que tenho é que estou persistindo em algo que eu sei não ser o melhor para mim. Talvez, eu digo talvez, seja hora de abdicar esse ser que vive aqui dentro. Talvez o melhor a fazer seja, de uma vez por todas, extirpar o que faz de mim capacho. Honestamente, sinto que minha alma necessita de um sacrifício, um que seja forte o suficiente para conseguir abnegar minhas incertezas, meus equívocos, minha prolixidade desnecessária, minha ingenuidade excessiva. Porque, se tem uma coisa que eu aprendi, é que o excesso faz mal, e de vez em quando nós precisamos fazer uma faxina dentro de nós. Jogar fora o que nos machuca, ainda que seja algo lindo, profundo, verdadeiro. Ainda que se trate do amor. 
Sabe, a minha vida inteira eu passei tentando ser o melhor pra mim e para os outros. Ainda que isso custasse a minha verdadeira identidade, o meu verdadeiro eu, eu tentava agradar o mundo à minha volta, muitas vezes esquecendo de agradar a mim mesma. E nesse percurso pérfido, acabei por acumular sentimentos desnecessários. Como se eu fosse um baú esquecido, cuja única finalidade fosse guardar objetos sem valor, mas que se tem dó de jogar fora. Sinceramente, esse baú está cheio, e não cabe mais nada aqui dentro. 
O que estou querendo dizer é que está na hora de eu me livrar do que está me machucando. E o que está me machucando, o que sempre me machucou, foi esse sentimento excruciante que eu sinto por você, e que é tão puro, tão intenso, tão bonito... Sobretudo quando é recíproco. O que, obviamente, não é o caso.
O amor em excesso chega a ser nocivo, devo acrescentar. E eu acho que te amo demais. Te amo tanto que isso é tudo o que eu sinto. Te amo tanto que consegui destruir meu coração, esmagando-o com o meu amor cúmulo. Sim, antes aqui havia um coração, eu sei que havia, porque ele doía quando você não estava por perto. Agora, tudo o que sobrou foi um imenso vácuo. Pois nesse instante eu sou o abismo do mundo, preenchido apenas pelo vazio da vida. É que sem você, eu sou assim: Um nada.
Hoje, quando eu acordei, tive uma pequena epifania. Eu percebi subitamente o que vinha fazendo de errado todos esses anos. Eu estava em conflito comigo mesma, querendo demais coisas que eu não posso ter. E você é como uma estrela distante, extremamente inalcançável para mim, extraordinariamente sublime para o meu enorme grau de disformia. Um dia, gostaria de ressaltar, eu posso me arrepender de ter desistido. Mas antes disso eu me arrependeria de ter tentado demais, e fracassado.
Por mais que eu tenha certeza de que renegar esse sentimento que está se alimentando de minhas forças seja o melhor que posso fazer, temo que não conseguirei me livrar de tudo o que sinto. Tenho medo de que o excesso tenha se apoderado de mim, medo de que essa já não seja eu, mas sim um abrigo para os meus sentimentos. Não posso mentir, já tentei isso antes. Já tentei te esquecer. Já tentei desistir. Não é que eu goste de sofrer... É que, por mais que eu me obrigue a te esquecer, eu não consigo...
É essa minha vontade louca de querer o que não pode ser meu.

  Aquele beijo,
                        De alguém que te ama demais.


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Sua ausência

E o que fazer com esse sentimento que me faz tão dependente de você? Eu careço seu sorriso, seu olhar, suas piadas bobas. E esse seu jeito que me faz ficar tão purificada, tão cheia de mim. Tão eu. Digo-lhe aqui, com toda honestidade, que não sei viver sem você. Sinceramente, não sei. Porque quando você está por perto, eu me sinto viva. E isso é novo para mim.
Não sei onde quero chegar com essas minhas palavras temerárias e essa minha inocuidade genuína. Tudo o que faço é escrever o que sinto, e é isso que diz o meu coração. É assim tão verdadeiro, é assim tão inocente... Sei lá. Acho que só estou desse jeito, meio idiota, porque estou apaixonada. E o amor deixa agente louco.
Apesar de toda a minha ignorância, de uma coisa eu tenho certeza: Essas palavras são puras, tão puras quanto as lágrimas de um ser apaixonado e que sofre. É real, acredite. Essas palavras traduzem o meu ser. E com essas palavras cheias de franqueza, quero pedir um favor à você. É um favor grandioso, eu sei, mas necessário. Não para você, mas para a minha sanidade. Eu peço aqui que você nunca me abandone.
As pessoas tem o costume de me abandonar. Isso não é problema seu. Isso é entre eu e o universo, eu e o infinito. Mas seria bom se você soubesse de antemão do estrago que causaria caso se afastasse de mim. Repito com toda a honestidade de outrora: Não sei viver sem você. Sinceramente, não sei.
Com a tua ausência, eu não suportaria a dor. Sou uma pessoa fraca, cheia de pusilanimidade. Eu não saberia lidar com algo tão grandioso. E quem mais, quem mais nesse mundo me faria sentir assim, tão viva? Por quem mais eu passaria horas intermináveis a criar expectativas? (Sou dessas. Não é saudável viver de expectativas, eu sei bem disso. É a pior dor do mundo, a de acordar e perceber que tudo não passou de um sonho. Dói demais.) Quem, se não você, me faria perder o fôlego somente pelo ato de encostar em mim? Por isso eu digo, com toda a convicção que Deus me deu: Ninguém mais nesse mundo teria o poder que você tem sobre mim. Porque você é único, eu sou única, e essa palpitação boba que meu coração faz quando te vê também é.
É verdade, eu me apaixonei por você. Você inteiro - não metade, não pedaço. E se você sumisse da minha vida, se você por acaso me deixasse, eu não poderia existir. Eu teria que sumir da minha vida também.
 Porque afinal o amor é isso, é viver o outro em toda a sua plenitude. E não existe plenitude pela metade. Ou tá junto ou não tá.

sábado, 22 de outubro de 2011

Brasil: O país diferente

“E se me achar esquisita, respeite também. Até eu fui obrigada a me respeitar”. Sábias as palavras de uma das escritoras mais influentes do nosso país: Clarice Lispector. Essa frase, produto de toda uma vida dedicada à escrita, nos deixa em aberto a questão da “diferença”. Os seres humanos são, por natureza, diferentes uns dos outros. E ainda assim, mesmo sabendo que não existem duas digitais iguais, as pessoas ainda criticam quem é diferente.
Vivemos em uma geração onde nós somos o espelho do mundo. O mundo é o que é hoje por conseqüência de nossas ações, de nossa linha de raciocínio, do que consideramos ser ético ou não. Desde crianças, somos influenciados pela mídia a seguir estereótipos considerados “legais” pela sociedade. A televisão, por exemplo, coloca na cabeça das pessoas que o bonito é usar certo tipo de cabelo, e o feio é usar certo tipo de roupa. Somos esmagados por padrões a serem seguidos. E não seguir esses padrões é ser diferente. E ser diferente, para a sociedade, não é legal.
Em um país como o Brasil, com tanta diversidade de raças, ser diferente é inevitável, e conviver com essas diferenças é ainda mais. São índios, negros, brancos, pardos, japoneses... É gente de todo o tipo, é uma miscigenação louca, é o grito da diversidade. E é uma diversidade linda, mas que não parece ser forte o bastante para quebrar os paradigmas existentes na nossa realidade. Porque as diferenças geram o preconceito, e este existe de monte por aí.
Mistura de cores, mistura de culturas, mistura, mistura, mistura. Diversidade. Este é o Brasil, este é o nosso país. Nós somos o país das diferenças, e saber conviver com elas é fundamental. Não devemos ensinar às nossas crianças que todos precisam ser iguais, que devemos ser como querem que nós sejamos. Devemos ensinar a elas que não é preciso ser igual a ninguém para ser considerado legal. Devemos ensinar que ser diferente é bonito. Ser diferente é Brasil.

Olá leitores! Agora são exatamente três horas da manhã, e eu acabei de escrever essa redação como um exercício para amanhã. É porque amanhã é o segundo dia do ENEM, e eu terei que fazer, além das 90 questões, uma redação. Eu precisava muito treinar, por isso peguei um tema que achei interessante, que caiu no ENEM de 2007: O desafio de se conviver com as diferenças. Espero que tenham gostado do texto! Agora eu preciso urgentemente dormir, preciso descançar porque amanhã é dia... Ah, e eu corrigi a minha prova de hoje. Acertei 51 questões de 90... Não estou plenamente satisfeita, mas foi uma surpresa para mim, principalmente por eu não ter estudado nadinha desde que eu parei de fazer meu cursinho... Bom, agora só me resta dormir e rezar! Que seja o que Deus quiser...

 Boa Noite!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Entorpecida

Eu tenho essa mania idiota de amar as pessoas erradas. E aqui estou eu novamente, batendo insistentemente na mesma tecla. Eu estou tão fraca que perceber o meu erro já não me surpreende. No fundo, bem no fundo, eu sei que sempre irei gostar de quem não gosta de mim. Eu simplesmente sei. Mas o meu "saber" de nada serve a não ser para causar aquela sensação de Déjà Vu, aquele arrependimento repleto de descontentação, aquela angústia que sentimos quando cometemos o mesmo erro duas vezes. E eu acho que essa tragédia íntima acontece apenas para me fazer sentir viva. Porque no fundo eu sei que sou uma pessoa entorpecida. Mas eu também sei que quando amo, algo dentro de mim ressuscita, toma vida. Porque somente o ato de amar já me possibilita sentir. Ser. Viver. E quando, por infelicidade do destino, a vida pisa em cima desse meu amor, a coisa dentro de mim volta a morrer. Assim tão rápido, assim tão fácil, assim quase indolor. E eu digo quase, porque é uma dor diferente, é uma dor que nós sentimos somente quando percebemos que está faltando algo dentro de nós. E desse jeito estranho, quase louco, o ciclo continua. Meu coração morre e ressuscita. Morre e ressuscita. Morre e ressuscita... 
 Ele morre. 
 Até o momento em que eu encontre alguém que não gosta de mim e ame novamente. 
 Então ele ressuscita.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

A paz da solidão

Deixe-me curtir a minha solidão.
Esse é o meu espaço.
Aqui eu fecho os olhos e vou para longe dos problemas do mundo.
Posso ser eu mesma.
Aqui, sozinha, eu desconsidero os fatos
Considerando o improvável.
Aqui, valorizo o vazio e o torno esplêndido.
Aqui, eu vejo graça no desajeitado,
Eu aceito o que é rejeitado.
Aqui, eu sorrio para mim mesma...
Sem motivos,
Sem pressão,
Apenas pelo prazer de sorrir.
E só assim, de mãos dadas com a paz da minha solidão
É que eu consigo viver.
Porque não há a pressão esmagadora imposta pela sociedade sobre mim.
Aqui, eu consigo respirar, e só respirar.
Sim, pelo amor à minha vida eu respiro.
Por isso não me venha importunar...
Deixe-me curtir a minha solidão.


sábado, 15 de outubro de 2011

São quatro letras e uma infinidade de decepções...


É complicado entender esses assuntos do coração. Um belo dia você acorda e percebe que está amando – rápido e inesperado assim. No começo a chama está forte e te esquenta – são os melhores sentimentos acompanhados das melhores sensações. A fome do coração invade a sua alma, e você, faminto, se alimenta de sonhos e cria falsas expectativas. Estas são as mais traiçoeiras, e tenho certeza de que você as conhece bem. Sim, são aqueles pensamentos que tens antes de dormir, nos quais o seu amor é correspondido. São aqueles pensamentos nos quais tudo dá certo, aqueles que se aproveitam de sua fraqueza amorosa e colocam falsas verdades em sua cabeça. As falsas expectativas são como uma droga – quando você começa a criá-las, é difícil parar – a não ser que você conheça a desilusão. Ah, a desilusão, não queira conhecê-la. Eu poderia apresentá-la a você, pois nós já somos muito íntimos, mas eu estaria sendo cruel se o fizesse. Ela é a que causa mais mal, ela consegue acabar com o coração. E normalmente aparece quando menos se espera – lá está você, de mãos dadas com suas falsas expectativas... E de repente a desilusão entra em sua vida sem ser convidada, e causa um estrago terrível.
Não, não queira entender os assuntos do coração, não queira entrar nesse mundo louco. Eu costumo dizer que o amor é um vilão disfarçado, e é impossível conhecê-lo sem tê-lo vivido. E quando você o vive, já não tem certeza de nada, porque ele tem o poder de transformá-lo por completo...
Aqui estou eu, tentando descrever o amor, falando sobre falsas expectativas e desilusões. Ultimamente venho tendo sentimentos que eu nem mesmo sei o nome. É assustador, eu confesso, e isso me deixa insegura. Tenho medo de estar passando por algum tipo de metamorfose bizarra, medo de que meu coração esteja sendo invadido, e que minha defesa natural não seja capaz de defendê-lo. Devo estar sobre os efeitos dessa droga, e talvez demore a passar – eu poderia tomar um remédio, mas não conheço nenhum antídoto que seja capaz de curar o veneno do amor. Acho que preciso de uma chuveirada de sensatez, pois a minha loucura me engana – se acho que estou certa a falar de algo assim tão maior que eu, então estou errada.
E a minha felicidade, aquela que estava aqui agora pouco, ela simplesmente sumiu, como se a tivessem sequestrado. O amor tem essas manias feias, de roubar o que é bom – ele o faz tão sorrateiramente que quando você se dá conta, só lhe resta um imenso vazio no lugar do que antes havia algo. Pois é, engana-se quem pensa que o amor é um sentimento bom – ele apenas se faz de. Lhe mostra falsas verdades, lhe cria expectativas, lhe rouba a razão, lhe admite a loucura, lhe dá esperança e depois a tira de você. E assim ele pensa que está certo e continua, continua, continua... Até o dia em que você tranca o seu coração e joga a chave fora.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O livro das mentiras

Tracy
Ele estava inválido,
Mas somente seu corpo estava quebrado.
Não é tão simples,
Nem é fácil de explicar.
"Vamos deixar assim", ela disse.
E fecha o livro sagrado das mentiras,
E cobre seus olhos,
Negando a si mesma o que pensou acontecer.




Este poema se chama "O livro das mentiras", e é recitado por Tracy, a protagonista do filme "Aos treze".

O filme Aos treze conta a história de Tracy, uma adolescente inteligente, com poucos amigos e baixa auto-estima. Um dia ela conhece Evie, a garota mais popular da escola - exatamente o oposto dela - e as duas tornam-se amigas. É nesse ponto que a vida de Tracy dá uma reviravolta, e ela conhece uma forma de vida que ainda não havia conhecido. Evie a apresenta ao mundo das drogas, do sexo e da auto-mutilação, criando uma nova Tracy e deixando-a em conflito com sua vida.
 A primeira vez que eu assisti a esse filme eu era uma criança, e devia ter entre doze e treze anos. Não preciso dizer que adorei, não é? As crianças têm a cabeça muito fechada, e se deixam influenciar fácil demais e rápido demais - foi o que aconteceu comigo. Lembro que fiquei entusiasmada com o estilo de vida que Tracy adota depois de conhecer Evie - As festas, os piercings, a popularidade. É claro que não comecei a usar drogas ou fazer qualquer coisa que não devia, mas ainda assim eu achava tudo aquilo o máximo. Quase toda semana eu ia até a locadora e alugava o mesmo filme para assistir com as minhas amigas, e depois nós fantasiávamos como seria nossa vida se nós fossemos como a Tracy e a Evie.
Que vergonha de mim mesma.
Tracy e Evie
Tracy recita o poema "O livro das mentiras" logo no começo do filme, quando ela ainda era "ela mesma". Tracy recita-o para sua mãe, que preocupa-se com sua filha, pois acha o poema forte demais. Ele é, na verdade, o retrato de Tracy - uma adolescente rejeitada, com poucos amigos, estudiosa demais, e que tem o desejo de se tornar maior que ela mesma. Ela não estava feliz com a vida "sem graça" que levava - Isso é mostrado nas cenas em que ela joga suas bonecas fora e manda sua mãe lhe comprar roupas novas, pois ela parecia uma "idiota". Esse lado "depressivo e insatisfeito" de Tracy é exatamente o que a leva a ter uma amizade com a garota mais popular da escola - ela queria ser como Evie.


O filme "Aos Treze" aborda vários assuntos polêmicos - as drogas, problemas familiares, e até a auto-mutilação. Muitas pessoas nunca ouviram falar do "Cutting", apesar de ser algo muito comum entre os adolescentes. Esse assunto é muito abordado nos Estados Unidos, mas aqui no Brasil poucas pessoas sabem o que é e o porquê dos adolescentes praticarem o mesmo.
 O Cutting é o ato de se auto-mutilar. Normalmente ele é praticado cortando-se partes do corpo com lâminas, facas, gilete - qualquer coisa "afiada". Acontece normalmente quando a pessoa está passando por um momento difícil - depressão, baixa auto-estima, ou até como uma forma de punição. A maioria dos adeptos ao Cutting são adolescentes, mas também há casos de adultos que adotam a prática.
 Os praticantes do Cutting sempre irão esconder suas marcas, por vergonha ou medo. Eles afirmam que é como uma droga - quando você começa, não consegue mais parar. Simplesmente acham que, machucando-se por fora, conseguirão "abafar" a dor de dentro.
 O Cutting é diferente do Masoquismo, pois o adolescente não sente prazer ao se cortar - ele quer apenas acabar com a dor da alma, provocando uma dor física.
 A personagem Tracy pratica o Cutting sempre que algo que ela considera ruim acontece. Ela esconde as marcas dos pulsos com camisetas de manga comprida, e sua mãe nunca desconfiava de nada, até o momento em que contam a ela.
Momento em que a tia de Evie mostra as marcas no pulso de Tracy para a sua mãe.
"Mães, tranquem seus filhos". Essa é a frase dita por Tracy em uma de suas "farras" a noite. Aos Treze mostra como um jovem pode ser influenciado rapidamente, e como ele acha que o que está fazendo é legal. Ele simplesmente vai mergulhar em um mundo de diversão, sem se preocupar se aquilo é certo ou errado - e os outros que se danem.
Está mais do que na hora de colocarmos algo na cabeça dos jovens de hoje em dia: Existem formas de diversão saudáveis, existem caminhos certos e que fazem bem, existem os amigos de verdade - que irão te orientar - e aqueles que irão junto com você. É tudo uma questão de escolha.

Para finalizar esse Post, que na verdade é sobre o poema e não sobre o filme, quero mostrar algo muito legal que eu e minhas amigas fizemos na escola. A tarefa era a seguinte: Escolher um poema qualquer e fazer a releitura do mesmo. Nós escolhemos o poema "O livro das mentiras" e fizemos uma releitura cômica dele, em forma de video. Ficou muito legal! Assista:

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Minha realidade subversiva


Estou prestes a dizer quem sou e como vivo – se é que vivo. Não quero dizer que me conheço bem, pois estaria mentindo. Sou como um telespectador para mim: eu assisto às minhas ações, aos meus erros, aos meus pensamentos loucos, à minha imponderada vontade de ser maior que eu mesma. Do lado de fora, assisto-me tentar atingir às minhas metas e fracassar, tentar alegrar alguém, mas magoar... Tentar fazer o que sempre quis e desistir, por medo. E a minha insatisfação comigo mesma cresce, como se as minhas dificuldades me alimentassem a cada mísero equívoco meu.
Acho que tudo que sei é que eu sou infinitamente pequena para mim mesma, e às vezes a vida me mostra flashes dessa minha realidade subversiva. E eu, na minha fome de renegar toda e qualquer simplicidade, me mostro insatisfeita, e me renego.
Não estou aqui para quebrar paradigmas, mas preciso de uma ação revolucionária dentro de mim. Me entender virou um desafio, e eu não nasci para competir – e competir comigo mesma é algo demasiado louco, até mesmo para mim, que não me considero normal.
Será que um dia inventarão uma tecnologia tão extraordinária a ponto de ler o nosso subconsciente e entender o que nós mesmos não entendemos? Se acontecer, não quero estar aqui para vivenciar isso. Não entender a mim mesma me torna um mistério, e ser uma pessoa misteriosa sempre foi um desafio a ser alcançado.
E eu acho que consegui.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Sanatório Pessoal


As vozes na minha cabeça insistem em dizer-me o que tenho que fazer. É preocupante, eu sei, e um tanto assustador. E quando eu fecho os olhos, eles me mostram coisas que eu não quero ver.
 Você acha que eu sou louca - e eu não te culpo por isso. Mas eu já passei dessa fase - meu estágio é muito mais avançado.
 Lembranças, expectativas, sonhos - um embolorado de emoções rodeando meus pensamentos. Encarando tudo isso de fora parece loucura. Pensando bem, talvez eu esteja louca. Estou contando as horas para dormir, assim eu posso ver-te em meus sonhos, e é tudo tão melhor que a minha realidade! As pessoas costumam me dizer que eu sou sonhadora ao extremo. Mas o que devemos fazer quando nossa realidade não nos satisfaz? Sim, talvez eu tenha parado de viver a minha vida para viver em um mundo de sonhos. Mas esse mundo é tão meu, e eu me sinto tão bem nele... E como não sentir-se bem em um mundo no qual nosso amor é recíproco?