É complicado entender esses assuntos do coração. Um belo dia você acorda e percebe que está amando – rápido e inesperado assim. No começo a chama está forte e te esquenta – são os melhores sentimentos acompanhados das melhores sensações. A fome do coração invade a sua alma, e você, faminto, se alimenta de sonhos e cria falsas expectativas. Estas são as mais traiçoeiras, e tenho certeza de que você as conhece bem. Sim, são aqueles pensamentos que tens antes de dormir, nos quais o seu amor é correspondido. São aqueles pensamentos nos quais tudo dá certo, aqueles que se aproveitam de sua fraqueza amorosa e colocam falsas verdades em sua cabeça. As falsas expectativas são como uma droga – quando você começa a criá-las, é difícil parar – a não ser que você conheça a desilusão. Ah, a desilusão, não queira conhecê-la. Eu poderia apresentá-la a você, pois nós já somos muito íntimos, mas eu estaria sendo cruel se o fizesse. Ela é a que causa mais mal, ela consegue acabar com o coração. E normalmente aparece quando menos se espera – lá está você, de mãos dadas com suas falsas expectativas... E de repente a desilusão entra em sua vida sem ser convidada, e causa um estrago terrível.
Não, não queira entender os assuntos do coração, não queira entrar nesse mundo louco. Eu costumo dizer que o amor é um vilão disfarçado, e é impossível conhecê-lo sem tê-lo vivido. E quando você o vive, já não tem certeza de nada, porque ele tem o poder de transformá-lo por completo...
Aqui estou eu, tentando descrever o amor, falando sobre falsas expectativas e desilusões. Ultimamente venho tendo sentimentos que eu nem mesmo sei o nome. É assustador, eu confesso, e isso me deixa insegura. Tenho medo de estar passando por algum tipo de metamorfose bizarra, medo de que meu coração esteja sendo invadido, e que minha defesa natural não seja capaz de defendê-lo. Devo estar sobre os efeitos dessa droga, e talvez demore a passar – eu poderia tomar um remédio, mas não conheço nenhum antídoto que seja capaz de curar o veneno do amor. Acho que preciso de uma chuveirada de sensatez, pois a minha loucura me engana – se acho que estou certa a falar de algo assim tão maior que eu, então estou errada.
E a minha felicidade, aquela que estava aqui agora pouco, ela simplesmente sumiu, como se a tivessem sequestrado. O amor tem essas manias feias, de roubar o que é bom – ele o faz tão sorrateiramente que quando você se dá conta, só lhe resta um imenso vazio no lugar do que antes havia algo. Pois é, engana-se quem pensa que o amor é um sentimento bom – ele apenas se faz de. Lhe mostra falsas verdades, lhe cria expectativas, lhe rouba a razão, lhe admite a loucura, lhe dá esperança e depois a tira de você. E assim ele pensa que está certo e continua, continua, continua... Até o dia em que você tranca o seu coração e joga a chave fora.

talvez a única coisa que não nos traia seja a dor e o sofrimento...
ResponderExcluir