sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Desinibida

Vida, poupe-me de suas limitações. Não quero me sentir presa ao que o destino reservou para mim. Eu não: Eu quero é mais. Quero mais amor correspondido, mais crises de riso, mais tempo desperdiçado. Eu quero mais música, mais beijo, mais conquista. Eu quero mais insônia, café e livros. Quero mais cochilos na rede, mais encheção de cara, mais festa, mais gente. Eu quero mais vida. Eu quero mais eu e você, quero você e eu. Eu quero agente, eu quero nós. Juntos, felizes, despreocupados, com uma garrafa de scotch em uma mão e Mário Quintana na outra. Eu quero, ao seu lado, Caetanear na nossa sala vazia, ainda sem móveis, ouvindo o som da chuva e nos aquecendo ao calor da lareira. 
Eu quero te dizer "Eu te amo" sem medo, apenas pelo prazer de dizer. E eu quero, sobretudo, honestidade. Quando me sentir feliz, que seja de verdade. Se eu me sentir triste, que eu me sinta melhor depois. Ao me sentir preocupada, que seja por alguém. E quando sentir ciúmes, que seja por você. Quando me sentir sozinha, que você me abrace forte, apertado, e me diga com toda a sinceridade do mundo "Eu estou aqui com você". E se eu me apaixonar, que seja recíproco. E se eu quiser vencer, que os obstáculos não me impeçam, que não me derrubem, que não me enfraqueçam. E se eu me sentir fraca, que você me ajude a levantar. Que eu tenha o que lhe dizer ao te ver triste, e que eu saiba cuidar de você. Que eu saiba cuidar de nós. E que esse "nós" dure muito tempo. Que dure pra sempre.
Porque eu sou um ser desinibido. Não quero existir, eu quero viver. Não vou me contentar com limites. Eu quero é mais.

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