Sou como um barco furado, perdido no meio do oceano. A água salgada e gélida que tenta me naufragar são os sentimentos que venho sentindo ultimamente. Estou inundada de você, e sinto que vou afundar...
O que exatamente determina a hora de se deixar vencer? Eu poderia parar de tentar jogar fora a água que está entrando em mim e simplesmente me deixar submergir. Eu poderia me deixar levar pela fúria desse mar. Eu poderia. Mas eu não quero ser afogada no que eu sinto, porque se eu me deixar afundar, eu sei que não conseguiria voltar à superfície.
É complicado, e tentar explicar não irá fazê-lo entender. Apenas coloque em sua cabeça que eu estou cheia. Estou tão cheia de amor que não cabe mais nada aqui dentro. Sou como um vulcão em erupção - o que sinto é a lava inimaginavelmente quente que insiste em sair de mim e se espalhar ao meu redor, queimando quem se atrever a chegar perto. O que sinto atingiu um nível tão alto que eu mesma não consigo alcançar, e tão extremamente longínquo de mim que eu não consigo enxergar. Eu só sinto, e sinto de uma maneira exageradamente forte, desumana. Tão forte que está me machucando, me corroendo, me devorando. Eu acho que cheguei ao estado nirvana do amor.
Então você me diz para sossegar. E eu te digo aqui que não dá para sossegar um sentimento tão forte quanto o meu. Já tentei escondê-lo no fundo do guarda-roupa, já tentei inquietá-lo colocando-o debaixo do meu travesseiro. Já tive uma conversa séria com o tempo, mas ele não cura amores, nem apazígua sentimentos. Já tentei renunciar o que sinto, e até disfarçá-lo de outra coisa se não amor. Tentei esfriá-lo, congelá-lo, triturá-lo. Tentei fazer uma pausa, tomar um café, ler um livro, dar uma caminhada pelas estradas do Não-quero-mais-fazer-parte-disso. Já tentei deitar, fechar os olhos e não pensar em você, não pensar em nós, não pensar em nada. Com toda a sinceridade do mundo, afirmo aqui que eu já tentei sossegar. Mas eu não sou forte o bastante para me dar um basta.
Seria fácil se eu conseguisse colocar o meu desespero em um saco e abandoná-lo em algum lugar qualquer. Seria fácil se fosse possível renegar algo tão profundo, virar as costas e simplesmente continuar andando, sem nunca olhar para trás. Mas eu sou demasiadamente fraca, tão fraca que já perdi o controle sobre mim mesma - meu coração o tomou de mim, e não me deixa mudar de canal. Sou tão fraca que me permito, a cada dia, desistir de você e voltar atrás no segundo seguinte. Parece que sempre que tento tirar uma soneca, o amor vai lá e me acorda.
Sinto-me exausta. Amar demais cansa, eu sei, acaba com a bateria da gente. E eu acho que perdi meu carregador. Talvez eu já tenha feito de tudo, e agora seja a hora de respirar fundo e dormir - dormir para esquecer - ou dormir, quem sabe, para esperar. Mas eu estou presa à uma insônia torturante de você. Eu preciso de um calmante, um que seja forte o bastante para me fazer dormir. Você não é o único que precisa de um descanso - quero parar de ser devorada dia após dia pelos meus próprios sentimentos. E também quero parar de te afogar no que eu sinto.
Mas, honestamente, o meu único calmante é você.
Continuarei assim até o dia em que você apareça do nada, segure minha mão e aceite caminhar junto a mim. Continuarei assim até que você entre pela porta da minha vida, tranque-a e jogue a chave fora. Continuarei assim, meu amor, até que você finalmente ultrapasse as barreiras da sua confusão e venha até mim.
Até lá, me desculpe, mas eu serei apenas refém dos meus próprios sentimentos. Não é desespero, é amor.

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