sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Nós

E avisto, meio grogue, meio zen, aquela figura que me aflige, que me espanta e me faz bem. Me olha com seu olhar decidido, me arranca um suspiro, me fere com um sorriso zombeteiro, e canta ao infinito seu poder sobre mim. Não me tens em suas mãos, nem mesmo em seu coração, pois já que me acostumei com sua ausência e arrogância. Contudo, consegue me tirar o fôlego com suas poses ensaiadas, seus pensamentos ignorantes e seu sentimentalismo infantil. E perco, e cedo à ele, e volto atrás no instante seguinte, quando já me foi propiciado faíscas daquele amor louco. Amor não, amor não - não queremos que essa palavra especial dê nome à um embolorado de hipocrisia e enrolação. Carinho, talvez. Atração, com certeza. Nem mais, nem menos - no ponto: Nada muito especial. É o que somos, afinal - Uma bagunça feia, desajeitada e irreal. Nem um, nem outro, mas os dois! Presos em um sentimento falso, sem saber se nos entregamos ou se nos ignoramos, sem saber se avançamos ou se estacamos e permanecemos assim, do jeito que está. Um pé aqui, outro lá - sempre invadindo o território um do outro. E sem saber porquê, empinamos nossos narizes para ignorarmos os erros esparramados aos nossos pés. O orgulho nos mata, e não sentimos, pois já estamos mortos. E nem ligamos! Nem ligamos, pois que o sofrimento do outro nos dá a vida que precisamos. E assim, nos alimentamos da lágrima, do arrependimento, da falsidade - E nos mantemos vivos por fora, enquanto apodrecemos por dentro.

3 comentários:

  1. Finalmente admitiu! "Amor não, amor não". Realmente um monte de hipocrisia e enrolação, concordo.

    "Nada muito especial".

    Enfim aquiesceu, querida Bárbara.
    Sempre soube que essa hora chegaria, fico feliz, entendo, te parabenizo; nenhuma farsa dura mais do que algumas centenas de páginas, veja aí Poirot que não deixava chegar nem à 3. Provou sua versatilidade — e, aliás, conseguiu bons textos.

    Mas o fato é que agora você acabou de vez com a história. (Coloque aqui um ponto final). Muito mais que a realidade; deixou Emília Bandeira de Melo "no chinelo".


    Saudações.

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    1. Finalmente entendi que não se pode amar quem não quer ser amado. Mas eu não acabei com nenhuma história, já que nunca houve uma história. Se aceita um conselho, meu querido, você deveria trabalhar seu egocentrismo - que já está transbordando.
      Adeus, Kaique. E, por favor, não torne a falar comigo.

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    2. O que você tem que entender é que não se pode amar sem ter amor. "Amor não, amor não", mas história foi, e foi História também, empreendeu destino; e do ego, minha querida, resta apenas o sôfrego.

      Não retornarei. Histórias minhas não serão mais contadas aqui.

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