sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Epifanias de outrora

No teu olhar obscuro, encontro uma faísca de luz. 
E me ilumina, e me compreende, e me quer bem. 
Me arrasta, e me controla, e me arranca as forças enquanto me examina. 
E me corrige, me observa, e lê a minha alma prolixa e bagunçada, 
Para então lavar as impurezas acumuladas nos cantos de um amor fugaz. 
Me encara, me tira o fôlego, me deixa sem graça e não se julga culpado. 
Me fala, me cala, me deixa, e some. 
Some tão veloz que não me deixa ver, 
Some tão veloz que não me deixa sentir,
E suga consigo as breves epifanias de outrora. 

Na sua ausência me rouba a luz; 
Na minha ausência me deixa no escuro.
Mas me observa escondido na essência das trevas, 
Esperando o momento em que faíscas de luz em seu olhar obscuro
poderão me encontrar outra vez, 
E me iluminar, e me compreender, e me querer bem.

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