No teu olhar obscuro, encontro uma faísca de luz.
E me ilumina, e me compreende, e me quer bem.
Me arrasta, e me controla, e me arranca as forças enquanto me examina.
E me corrige, me observa, e lê a minha alma prolixa e bagunçada,
Para então lavar as impurezas acumuladas nos cantos de um amor fugaz.
Me encara, me tira o fôlego, me deixa sem graça e não se julga culpado.
Me fala, me cala, me deixa, e some.
Some tão veloz que não me deixa ver,
Some tão veloz que não me deixa sentir,
E suga consigo as breves epifanias de outrora.
Na sua ausência me rouba a luz;
Na minha ausência me deixa no escuro.
Mas me observa escondido na essência das trevas,
Esperando o momento em que faíscas de luz em seu olhar obscuro
poderão me encontrar outra vez,
E me iluminar, e me compreender, e me querer bem.
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