Foi ali que eu o vi pela primeira vez, sentado no banco da praça, de pernas cruzadas e olhar distante. Uma figura alta e pálida, de mãos nervosas e pernas trêmulas - cabisbaixo, frívolo. Não se destacaria em um grupo de pessoas, não se destacaria nem se andasse com uma melancia na cabeça. Entretanto, conseguiu me chamar a atenção.
Da janela do terceiro andar de um condomínio sem graça, observo aquele rapaz tristonho sentar-se todos os dias na mesma posição e fixar os olhos mortos em algum lugar que só ele é capaz de ver. E passa horas a não fazer nada, apenas tornando-se parte do cenário da praça como uma figura sem importância. Às seis da tarde, ele olha para o céu, como que esperando um milagre. Depois levanta-se, pega o guarda-chuva que sempre carrega consigo, e desata a andar em passos largos e apressados, desaparecendo na multidão.
E todos os dias, o jovem magricela fazia a mesma coisa. Chegava, sentava-se no banco, passava horas emudecido, depois olhava para o céu, se levantava e ia embora. Muitas vezes pensei em cumprimentá-lo, perguntar seu nome, o que fazia da vida, ou até mesmo o que fazia ali, naquele banco. Mas sempre alguma coisa me impedia - não sei se por vergonha ou covardia, nunca arrisquei puxar conversa com aquele rapaz.
Um dia, o rapaz misterioso não apareceu no banco. Nem no dia seguinte. Nem no outro, nem no outro, nem no outro. Agora, eu já não mais o via sentado com olhar distante, nem às seis horas da tarde pegar seu guarda-chuva e ir embora. Agora, nada mais restava que um banco de concreto vazio. Tão vazio, tão abandonado, tão indiferente...
Certo dia, ao passar pelo banco da praça, lembrei daquela triste figura. Já não o via à meses, e não pude evitar sentir um lampejo de aflição. Sem pensar direito, resolvi sentar-me no banco. Cruzei as pernas, e observei a praça à minha volta. Crianças brincavam, pessoas passeavam com seus cachorros, carrinhos de sorvete tiniam musiquinhas. E passei um bom tempo ali, parada, absorvendo energias positivas. Às seis horas, olhei para o céu. "Já vai escurecer" eu pensei.
Então, peguei meu casaco, levantei-me e fui embora. E esperei o dia seguinte, para que pudesse fazer tudo de novo.

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