Não estava tão distante assim para que não pudessem vê-lo, nem encontrava-se tão indiferente para que não pudessem senti-lo. Não falava muito; e seus passos, sempre apressados, sempre fugitivos, sempre os mesmos: revestiam-se de eterno devaneio. Também não costumava sorrir – achava desnecessário. Entretanto, não era uma pessoa triste, não: Guardava sua felicidade dentro de si, para que não pudessem roubá-la. Seguia relativamente feliz, vivendo seus dias longos e chatos com um uma mescla quase insignificante de otimismo. Mas também era rancoroso – culpava as pessoas, o tempo, o destino – Só não culpava a si mesmo. Disfarçava sua tristeza em arrogância – de cabeça erguida, contornava os muros da cidade como quem não via nada, nem sentia. Caminhava, caminhava somente, e não via – ou não queria enxergar – para onde ia. Prolixidade - era o que era - prolixidade e contradição. Acabou perdendo-se entre as ruas tristes e escuras da melancolia. E, enquanto fingia que sabia o que era ou o que queria, tornou-se prisioneiro de sua própria ilusão.
Sorte que resguardava ainda, em algum lugar dentro de si, sua intocada felicidade.
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