Tem pressa em atravessar a ponte, em subir as escadas, em escalar as montanhas. Seu futuro está longe, tirando um cochilo - recusa-se a acordar. E ela, tão apressada, tão miúda - insiste em correr com seus pés pequenos a fim de alcançá-lo de uma vez.
A coitada foi jogada no mundo pelo braço, e caiu desajeitada no meio da multidão. Esta, tão maior que era, a devorava, enquanto a pobre tentava ignorar as cotoveladas que recebia. Pensou, certa vez, que havia encontrado o que achara um dia não existir. Bobagem - era mais um fósforo que se apagava tão rápido quanto acendia.
Em sua ira, decidiu renunciar. Estava tão feliz, ora - não precisava de mais uma vírgula para atrasar suas frases. Fechou a cara, finalmente deu as costas. Dobrou a esquina sem olhar para trás.
Uma semana depois, quase se arrependeu. Pensou que se tentasse, talvez conseguisse reacender a chama. Mas só pensou, porque sabia que seria impossível. Só pensou, porque gostava de pensar - e pensava principalmente nele, no fósforo. Na chama. Sua sorte foi que não era o tipo de garota que gostava de se decepcionar.
Foi a primeira vez que ignorou a si própria - não se deu ouvidos. Continuou, então, sua corrida desenfreada pela vida, refletindo ocasionalmente sobre o que poderia ter acontecido se tivesse pelo menos tentado. A palavra em sua cabeça ofuscava seus pensamentos de forma clara: Nada.
Hoje, ela respira - não suspira. Sabe, enquanto corre, que não poderia ter sido diferente. Principalmente porque não está mais correndo sozinha, a garota. De mãos dadas com o que o destino lhe reservou, finalmente conseguiu se desvencilhar da multidão.
E a corrida continua.
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