Entender é para aqueles que são fortes. Eu, de tão fraca e pequena, não entendo. E nem quero! Pode ficar pra você, meu amor, com esse seu jeito esquizofrênico – roube para você a compreensão, você que de fraqueza, creio eu, não se satisfaz. Já roubou minha vida e minhas palavras e ainda, um dia atrás, roubou-me o sossego – porque quando estava sentada na grama, apareceu-me entre as árvores pedindo um isqueiro e um cigarro: descarado! É ladrão, o ladrão da minha paz, pois quando olhei para o lado ela havia sumido – caminhava junto a ti de mãos dadas.
Encontro-me agora – pobre de mim – no nada, e eis que aqui nada se encontra. É que não existo, e não existiria se quisesse; dispenso pensamentos dispensáveis, mas não dispenso pessoas dispensáveis... Sou fraca, sou pequena – e não me julgo capaz. E quão dispensável você é, meu amor! Tão dispensável que não entendo porque nos estendemos tanto e por tanto tempo. Ou entendo – quanta contradição! – pois submissa antes era, sim, quando me vestia de ingenuidade... Mas agora, ah! Sou pantera, jazz e rock and roll - Deixei de lado a minha condição de menina. Você me vê maluca, é que a minha alma cresceu: Grandes antes eram as minhas limitações. Limitações estas que ficaram para trás, junto com a minha submissão doentia.Lide com isso enquanto eu te observo de longe: Como você foi parar aí? Pouco me importa, na verdade. O meu Maverick amarelo está engatado, meus pulmões respiram Breed no último volume e eu estou partindo. Prometo evitar ciclos excessivos de você. Não quero mais ser alvo de sua pobre esquizofrenia – de tamanha loucura, já basta a minha própria. Eu vou embora, vou sim – estou assumindo o que você, coitado, nunca fez. Sempre que pega o ônibus, desce no ponto seguinte só para voltar a pé! E acrescento aqui que levarei comigo minhas lembranças, meu cheiro e meu co-ra-ção. Pois que não será preciso – e nem quero! - futuras intervenções de restos deixados para trás.
Você, assim tão você, você até demais - vai ficar por aí mesmo, eu sei. Pois fique! Ou vá embora também; mas que faça jus de suas palavras. E então, quando estiver indo embora de vez, quando realmente for embora, faça-me uma surpresa, uma grande surpresa, meu querido, e me entregue este presente embrulhado numa folha velha de jornal: não volte.
A compreensão é a filha dos fortes. Sejamos fortes, então.

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