segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Eu, Christiane F.

Se você é da década de 80, é viciado em Dramas ou simplesmente adora ler, provavelmente já conhece essa história chocante, que jogou um balde de água fria em muitos jovens que acham que se drogar é legal: "Eu, Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída".
 A alguns mêses atrás eu não tinha ideia da existência desse livro. Até que, em uma das minhas inusitadas visitas à livraria Saraiva, eu o vi em meio a vários outros livros, e a capa e o título me chamaram muito a atenção. É um livro branco, cuja capa tem um aspecto interessante, de pisos de ladrilho sujos de sangue - como esses banheiros imundos que aparecem em filmes de terror. O título - muito forte, por sinal - e a foto de Christiane na capa provocaram em mim grande curiosidade, e eu me apressei a ler a sinopse.
 A história é forte: Uma garota de treze anos que se vicia em Heroína e, para manter o seu vício, passa a se prostituir. Tudo começa com o divórcio dos pais, fato que faz com que Christiane, sua irmã, sua mãe e o amante se mudem para um conjunto de prédios em Berlim, que abrange desde prostitutas até traficantes. A partir daí, a garota começa a frequentar uma discoteca chamada Sound, que a induz a fumar seu primeiro cigarro de Maconha. Isso foi só o começo para uma jornada de vícios e desespero: da maconha, Christiane passa para comprimidos - como o Valium - daí para o LSD e finalmente para a Heroína. O namorado de Christiane, chamado Detlef, também torna-se viciado, e juntos eles se prostituem nos metrôs de Berlim para garantirem a sua dose de todos os dias. A garota passa por uma série de tratamentos para desintoxicação, mas sempre voltava a consumir a droga, o que causa no leitor uma certa "agonia", pois o livro relata tudo de uma maneira chocante. 
 Eu não comprei o livro, e no final voltei para casa com vários livros do Nicholas Sparks, um dos meus autores prediletos. Porém, por obra do destino, uma amiga me disponibilizou o livro, que era do seu irmão. Eu o li em dois dias.
 Para quem gosta de histórias clichês ou romances com personagens perfeitos e finais felizes, eu não recomendo. Mas se você é um leitor nato que gosta de Dramas fortes e cenas que mexem com o seu subconsciente, com certeza irá querer ter o seu exemplar na estante. 
 O livro tem início com dados do julgamento de Christiane; é como se fosse um documentário, por vezes narrado por Christiane e por vezes narrado pela mãe, psicólogos e policiais. Não é dividido em capítulos e tudo o que separa os textos são os próprios depoimentos dos personagens. Vale ressaltar que é uma história verdadeira, e a personagem Christiane Vera Felscherinow realmente existe, e até hoje luta contra o vício das drogas. Hoje ela está com seus 49 anos, e seu estado é irreversível. Se com quinze anos seu fígado já estava com cirrose, hoje o problema é ainda maior: Sofre de hepatite tipo C e graves problemas circulatórios, além de ter que passar por diversas sessões de hemodiálise. Ela voltou a consumir drogas pesadas aos 46 (como a Heroína) e seu filho foi tirado dela pelas autoridades alemãs. Por outro lado, o ex-namorado Detlef sobrevive como motorista de ônibus e mora com a esposa e os filhos - segundo ele, está livre das drogas.
 Além do livro, também foi lançado um filme na década de 80. Eu, que costumo assistir filmes pela internet, pesquisei e achei alguns links com o filme Online, mas apenas dublado - o filme com o áudio original em alemão e as legendas é impossível de encontrar na internet. Odeio assistir filmes dublados - e esse é ainda pior, por seu um filme antigo - e não consegui terminar de assistir. Mas, se você gosta, vá em frente, pois o filme parece ser muito bom.
 Christiane F. é um livro muito bom, vale a pena ler, principalmente por ser um aviso urgente para os jovens de hoje em dia. Em 321 páginas, é possível ter plena consciência do mal das drogas, de como os dependentes caminham para a alto-destruição e como, a grande maioria que usa drogas pesadas, acabam tendo um final trágico. Quase todos os amigos de Christiane morreram por causa da Heroína, incluindo Babsi, de apenas 14 anos. 
 Os pais deveriam incentivar a leitura deste livro por parte de seus filhos, para que eles vejam como o caminho das drogas pode levar à toxicomania e acabar com a vida do viciado e de seus familiares e amigos.


Christiane em 1977 e hoje.



Um comentário:

  1. Conheci a Cristiane na locadora (nessa época ainda alugava filmes), passando por uma prateleira o título me chamou a atenção, assim como a você. Para quem não sabe, o nome do livro, assim como do filme, é: “Eu Cristiane F. 13 anos, drogada, prostituída…”.

    Peguei o filme com preconceito, pois parecia uma porcaria (um desses filmes do sbt que tentam aparecer com temas de drogas, prostituição, etc), mas li a sinopse e, para o bem do bom-senso, resolvi dar uma chance a ele.

    O filme impressiona, é realmente muito bom, mas é incrível como a dublagem nesse caso tem o poder de arruiná-lo, é simplesmente ridículo aquelas vozes, muito superficial. Depois de um tempo, esbarrei com esse livro em algum lugar, me lembro que não tinha dinheiro para compra-lo, mas tratei de troca-lo na biblioteca (aqui dá pra trocar livro).

    Eu devo ter lido em dois dias, é hipnotizante, um retrato de uma geração realmente.

    Você tem muita razão quando diz que os pais deveriam passar esse filme/livro para os filhos, eu até passei para os meus alunos, mas aparentemente, ninguém deu a miníma, mas vai saber, né?

    Beijos, e parabéns pelo post, com certeza indicarei ele muitas vezes quando falar desse filme/livro.

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